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Notícia de Política

ENTREVISTA

CPI é 'conspiração orquestrada contra o governo', diz Marcos Rogério

Publicado em: 30/04/2021 17:52

Em entrevista ao Correio, senador aliado do Planalto critica o fato de os primeiros convocados a depor na CPI da Covid serem apenas pessoas ligadas ao Executivo
 (foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
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Em entrevista ao Correio, senador aliado do Planalto critica o fato de os primeiros convocados a depor na CPI da Covid serem apenas pessoas ligadas ao Executivo (foto: Jefferson Rudy/Agência Senado )
Representante da "tropa de choque" do Planalto na CPI da Covid do Senado e vice-líder do governo na Casa, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) ficou contrariado com a primeira lista de convocados a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito. Em entrevista ao Correio, o parlamentar reclama do fato de terem sido aprovados, na reunião de quinta-feira (29), apenas requerimentos que pediam depoimentos de pessoas ligadas ao Executivo, entre as quais o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o atual ocupante no cargo, Marcelo Queiroga.

Para o senador, apesar de a base governista ser minoria no colegiado, suas reivindicações também precisam ser ouvidas, como, por exemplo, a realização de uma ampla apuração sobre o uso dos recursos repassados pela União para estados e municípios combaterem a Covid-19. Na opinião de Marcos Rogério, a CPI tem se mostrado, até o momento, "uma conspiração orquestrada contra o governo" e "focada em atingir o presidente Jair Bolsonaro".

Durante a entrevista, o parlamentar voltou a criticar a atuação do relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), cuja "falta de isenção já ficou demonstrada nas primeiras reuniões". Marcos Rogério é um dos autores do mandado de segurança que pedia ao Supremo Tribunal Federal (STF) o afastamento de Calheiros da comissão, pelo fato de ele ser pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB). A petição foi negada pelo ministro Ricardo Lewandowski, da Corte.

O senador por Rondônia também negou que o governo não esteja municiando sua base de apoio na CPI com informações técnicas. "A comissão está começando o seu trabalho. Ainda não foram instados a fazê-lo porque os requerimentos foram aprovados na quinta-feira", disse o senador. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Senador Marcos Rogério, o que o senhor achou do resultado da votação dos requerimentos para o plano de trabalho da CPI? Apenas pessoas ligadas ao governo federal serão convocadas para a primeira rodada de depoimentos.

A própria pergunta já traz a resposta. Apenas pessoas ligadas ao governo serão convocadas para a primeira rodada de depoimentos. Essa constatação, lamentavelmente, já indica a seletividade da investigação. Durante a reunião em que votamos os requerimentos, eu fiz um apelo ao presidente, e vou insistir nele na próxima semana, de que a gente aprove outros requerimentos para que a gente tenha uma dinâmica de trabalho considerando as vozes dos dois lados. Que haja um trabalho equilibrado, no qual os dois lados sejam ouvidos, e não apenas aqueles que são contra o governo. Trata de uma conspiração orquestrada contra o governo. Agora, na primeira semana, eu acho que seja compreensível que sejam ouvidos os ex-ministros e o atual ministro da Saúde, bem como o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas é preciso que a CPI faça a oitiva considerando tanto aqueles indicados pelos membros da oposição quanto aqueles indicados pelos representantes da base governista.

Senador, o que fazer agora que o STF negou o mandato de segurança que pedia a exclusão dos senadores Renan Calheiros e Jader Barbalho da CPI? Como o senhor pretende atuar no colegiado, a partir de agora, diante de um relator que o senhor considera que não tem isenção para relatar as investigações?

A falta de isenção do relator já ficou demonstrada nas primeiras reuniões. É lamentável que o STF, a partir de algumas decisões, seja tão contraditório quanto ao que caiba ou não intervenção judicial. Mas o fato de o STF não conceder segurança para afastar aqueles que tenham conflito de interesse na comissão não vai mudar minha atuação. Eu vou continuar atuando de forma diligente e muito observadora. Vamos ficar atentos a todos os movimentos, a todas as posições. Agora é trabalhar para que a investigação seja plural e não focada apenas no que quer o relator da CPI. O senador Renan Calheiros diz que seria o relator dos fatos, mas me parece que ele quer escolher os fatos a serem investigados. Isso, nós não vamos aceitar.

Na sua opinião, há um movimento na CPI para atingir o presidente Jair Bolsonaro e o governo federal?

Uma CPI que começa com os dirigentes do colegiado falando em genocídio, morticínio, crimes contra a humanidade, comparando o presidente a homens como Slobodan Milosevic [ex-presidente da Iugoslávia, processado pela Corte Internacional de Haia por genocídio durante a guerra civil na Bósnia, e que morreu em sua cela antes de ser julgado] não deixa dúvida disso. O que me parece é que há um direcionamento muito claro, focado no presidente Bolsonaro. Eu sou a favor da investigação, mas de uma investigação ampla, que esteja focada na busca de conhecer os fatos, a realidade, e mostrar à sociedade a verdade acerca desses fatos. Isso não está apenas na esfera do governo federal, tem que buscar o que aconteceu também no campo do dinheiro que saiu do governo federal, mas que não chegou nos estados e nos municípios brasileiros.

Particularmente, na sua opinião, que temas e episódios devem ter prioridade nas investigações da CPI?

Tudo o que estiver relacionado ao combate à pandemia, de Brasília, a todos estados, deve estar no horizonte da CPI. O Distrito Federal e os municípios, todos eles. O SUS, repito, é descentralizado. Que lógica tem investigar uma pandemia, uma doença causada por um vírus desconhecido, que é um desafio para a ciência e para todo o mundo, focado em uma pessoa, num governante, no caso o presidente da República. O Brasil sabe que isso não é sério, que não é o caminho correto. O resto é paixão política e antecipação de disputa eleitoral. Acho que o melhor caminho é fazer uma investigação apartada da disputa eleitoral.

Na sua opinião, ministérios e outros órgãos do governo federal estão fornecendo ao senhor as informações necessárias para a sua atuação na CPI?

Com relação à colaboratividade, a comissão está começando o seu trabalho. Ainda não foram instados a fazê-lo porque os requerimentos foram aprovados na quinta-feira. Mas não vejo que haverá dificuldades quanto a isso. O Planalto já demonstrou, e demonstra, permanentemente, que está aberto a prestar todas as informações e que não teme a qualquer investigação que seja séria. Tanto em relação aos membros da CPI que são da base do governo, mas em relação aos demais senadores. Eu acho que toda informação necessária será prestada, com transparência e celeridade para que o trabalho da CPI flua naturalmente.
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