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PANDEMIA

'Bolsonaro tem cheiro de cemitério', diz Mandetta em entrevista a jornal português

Publicado em: 29/03/2021 15:39 | Atualizado em: 29/03/2021 15:45

 (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não poupou palavras ao falar do presidente Jair Bolsonaro e da sua gestão durante a pandemia. Para ele, Bolsonaro “tem um cheiro de cemitério”. Na última quarta-feira (24), o país bateu a marca de 300 mil mortes pela Covid-19.

Ao jornal português Diário de Notícias, Mandetta comparou Bolsonaro com uma criança e disse que o presidente não entendeu o cargo que ocupa.

“Ele (Bolsonaro) é essa criança. Uma criança habituada a usar fake news para tudo, a distorcer a verdade para tudo, a criar factoides para tudo. Ele incita, incita, mas corre. Ele não presta e não sente o peso da cadeira”, afirmou o ex-ministro.

Mandetta foi demitido do cargo em abril do ano passado, justamente por não concordar com as atitudes de Bolsonaro e ser a favor da ciência para o combate da Covid-19.

“Eles têm um problema comigo. Enquanto estive no início da pandemia, redimensionei rede de oxigénio, material, máscaras, enfermeiros, médicos, remédios, tubos, testes e isso deu-lhes a impressão, já depois de eu ter saído, que o sistema aguentava, que era só "uma gripezinha" e, por isso, não fizeram mais nada”, disse Mandetta.

Disse ainda que explicou para Bolsonaro o caminho completo da doença, mas que agora ele “está com 300 mil cadáveres nas costas”.

Perguntado sobre os seus sucessores, Mandetta disse que Bolsonaro sabota todos que ocupam o cargo. “Pode colocar lá o Prêmio Nobel da Medicina que, se ele continuar sabotando, ou ele demite o ministro ou o ministro se demite”, pontuou.

"O Nelson Teich, seria “o Breve": esteve lá 20 dias. O general Pazuello era um incompetente, que dizia estar a cumprir uma missão, mas a principal missão dele deveria ser com a verdade: se alguém me chamar para a missão de conduzir um Boeing, eu vou dizer "olha que eu vou matar essas 400 pessoas", mas ele topou ser ministro mesmo assim, causando essa mortandade toda”, avaliou Mandetta.

A respeito do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta tem dúvidas, mas ressaltou que “se ele se orientar pela ciência, pela vida, pode fazer algo, pena que em cima de 300 mil mortos”.

Considerado um possível candidato nas eleições de 2022, Mandetta confirmou que já teve conversas sobre esse assunto.

“Não sobraria papel no mundo se cada uma delas (conversas) fossem noticiadas nos jornais. Aquilo de que falamos não é "terceira via", não é "centro", é de estabelecer um polo democrático. Não gosto de dizer que sou ou que não sou candidato. Eu vou dar tempo para que nos sentemos à mesa”, disse.

Na disputa entre Lula e Bolsonaro, o ex-ministro disse que “esse cenário é pesadelo”.

“Lula contra Bolsonaro é um pesadelo. Eu quero um sonho. Se eu tiver um pesadelo que estou caindo de um prédio, quando acordar vou jogar-me desse prédio? Não, não quero transformar isso em realidade e a sociedade também não quer”, completou.

Mandetta concluiu dizendo que tem pressa, pois sonha ver o Brasil acertar. "Espero que o nome (candidato à presidência) venha de um polo democrático - e que esse polo não se fragmente em cinco ou seis para não termos de viver o tal pesadelo numa segunda volta dos dois (Bolsonaro ou Lula)."
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