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Número de mulheres 'cabeça de chapa' cresce nas eleições municipais do Recife

Publicado em: 04/10/2020 08:00 | Atualizado em: 04/10/2020 11:00

 (Foto: Divulgação/ Ricardo Labastier; Reprodução/Instagram; Divulgação)
Foto: Divulgação/ Ricardo Labastier; Reprodução/Instagram; Divulgação

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que 182 mil mulheres estão concorrendo nas eleições municipais de 2020. A primeira vista o número parece alto, mas, em termos percentuais, o montante representa apenas 1,37% nas disputas das prefeituras. Na capital pernambucana, das 11 candidaturas majoritárias três são lideradas pelas mulheres. Além delas, outras quatro mulheres compõem as chapas.

Apesar de ainda tímido, em comparação às últimas quatro eleições municipais, há um aumento das participações de mulheres na liderança das chapas do Recife. Nos pleitos de 2004, do total de sete candidaturas apenas uma foi encabeçada por uma mulher, ou seja, 14,2% do total, sendo as candidatas a vice 57,1% das candidaturas naquele ano. Em 2008, entre as sete candidaturas, uma única mulher disputou.

O cenário continuou rebaixado em 2012. Do total de oito candidaturas, novamente apenas uma mulher saiu na disputa pela prefeitura. Já as concorrentes a vice, correspondiam a 37,5% do total. Em 2016, elas representavam 25% das cabeças de chapa, mas em contrapartida eram 12,5% do total de oito candidaturas a vice. O cenário político em 2020 tem trazido mudanças significativas, além de um número maior de siglas na disputa, 11 chapas no total. As mulheres este ano representam 27,2% em busca da liderança da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR). Mas, o percentual avança em relação às vice-lideranças, que são 36,3%. 

De acordo com Priscilla Lapa  cientista política e professora da Faculdade de Ciências  Humanas de Olinda (Facho), as eleições ocorridas em  2018 foram um fator preponderante para os resultados do que se vê hoje na política em relação à participação das mulheres. “Em 2018 além dessa discussão da ampliação das mulheres como candidatas tanto pro executivo como legislativo a gente viu a mulher se percebendo como um elemento decisivo em uma eleição. O movimento “Ele sim”, “Ele não” não foi  motivada por outra coisa, senão a mulher mostrando que queria interferir na eleição.  A mulher entendeu que o voto dela pode decidir a eleição, por ela ser maioria do eleitorado e pela liderança que ela pode exercer”, disse.

Outro fator destacado pela cientista, foi a a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em destinar 30% dos recursos do fundo eleitoral para cotas de gênero. “Foi um estímulo para que os partidos registrassem esse quantitativo de mulheres irrigadas com recursos para que fossem mais competitivas. Então essas candidatuas passam a se tornar mais consistente tanto qualitativamente quando quantitativamente”, afirmou.

Para as eleições deste ano, os recifenses contam com três opções de votos femininos para o comando da prefeitura, são elas: Patrícia Domingos (Podemos), Marília Arraes (PT) e Cláudia Ribeiro (PSTU), além de Rosaly Almeida (PSL), Isabela de Roldão (PDT), Priscila Krause (DEM) e Roberta Rita (PCO) para a vice-liderança.

Apesar de tímida, evolução é comemorada
Atuando há 10 anos como servidora pública através da Delegacia da Polícia Civil, Patrícia Domingos ressalta a importância de uma maior representatividade para as mulheres no pleito deste ano. “É uma alegria fazer parte deste momento. Há alguns anos as mulheres vêm ingressando na política, um ambiente majoritariamente composto por homens, mas agora estamos vendo uma participação maior de mulheres”, analisou.

Partindo da mesma premissa, Priscila Krause, comparando as eleições de 2016 com a atual, acredita que “houve uma evolução evidente. Isso está longe de ser tudo, mas já é um indicativo, um exemplo pra tantas mulheres recifenses que estão nos acompanhando e vendo que política também é o lugar delas”, ponderou.

Também candidata a vice-prefeita, Isabella de Roldão (PDT) acredita que as mudanças atuais podem significar o futuro de uma política mais participativa, onde homens e mulheres possam ocupar espaços de forma proporcional. “Quanto mais participação feminina, mais você abre caminhos para que novas gerações se sintam capacitadas para ocupar espaços na política e que isso se dê de forma igualitária entre homens e mulheres, queremos 50% a 50%”, disse. 
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