declaração 'Não seremos mais um paraíso para a prática de crimes', afirma Moro

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 03/10/2019 11:18 Atualizado em:

Isaac Amorim/MJSP
Isaac Amorim/MJSP
O governo federal lançou, na manhã desta quinta-feira (3), uma campanha publicitária para divulgar o pacote anticrime elaborado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Durante a cerimônia, Moro frisou que a peça é uma forma de conscientizar a população sobre a proposta do Executivo de “endurecimento em relação ao crime organizado, à criminalidade violenta e à corrupção”.
 
A campanha será divulgada nos meios de rádio, televisão, internet e cinema, além de mobiliários urbanos. O conteúdo foi feito a partir de relatos de pessoas que perderam familiares assassinados em decorrência da criminalidade. “Essa campanha publicitária vem, de certa forma, revelar o que se encontra por trás do pacote anticrime. É muito fácil citar números, mas por trás de cada um desses crimes existe a história de uma pessoa. Esse é o propósito da campanha: ter dramas pessoais vividos por vítimas de crimes, para que nós despertemos o lado humano da necessidade de se combater com maior rigor essa elevada criminalidade. Queremos, acima de tudo, proteger as pessoas. Precisamos agir firmemente contra a corrupção, o crime organizado e a criminalidade violenta”, declarou Moro.

O pacote anticrime foi elaborado por meio de projeto de lei, e foi encaminhado pelo governo federal ao Congresso nacional. Atualmente, a matéria está parada na Câmara dos Deputados. “Bem embora possamos fazer muito através de ações executivas, precisamos de mudanças legislativas para dar aos nossos agentes melhores instrumentos e para consolidar os avanços contra a corrupção que tivemos nos últimos cinco anos, para que possamos aprofundar essa atuação contra o crime”, analisou o ministro. 

O ministro ainda lamentou que, nos últimos 15 anos, houve um crescimento e fortalecimento das organizações criminosas no Brasil e que, muitas vezes, o Estado não tinha coragem de enfrentá-las. “Vimos o crescimento, mesmo em períodos de prosperidade econômica, da criminalidade violenta, podendo se citar o recorde de mais 60 mil assassinatos em 2016. Vimos o Brasil se tornar um abrigo para criminosos comuns. Muitos deles envolvidos em atividades terroristas. Vimos até mesmo a audácia de criminosos praticando atentados contra a sociedade civil e, até mesmo, contra um candidato à Presidência da República”, comentou, em menção ao episódio em que Bolsonaro levou uma facada durante a campanha eleitoral do ano passado.

Por outro lado, ele citou que, nos primeiros sete meses de 2019, houve uma redução de 22% do número de assassinatos no país em relação ao mesmo período de 2018. Segundo Moro, devido a isso, a vida de 7109 pessoas foi poupada. As estatísticas, para o ministro, reforçam a necessidade de aprovação do pacote anticrime. “As mudanças legislativas são fundamentais. Assim, não só o governo, mas também o Congresso, pode mandar uma mensagem clara para a sociedade que os tempos sem lei e sem justiça no Brasil chegaram ao final. O crime não compensa e não seremos mais um paraíso para a prática de crimes ou para os criminosos”, completou Moro.


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