Rec'n'Play Luciano Huck assume discurso político em palestra no Recife

Por: Luciana Morosini - Diario de Pernambuco

Por: Rosália Rangel - Diario de Pernambuco

Publicado em: 03/10/2019 08:00 Atualizado em: 03/10/2019 08:33

Luciano Huck disse que ia passar o telefone de Angélica para uma senhora que perguntou se ele seria candidato à Presidência. Foto: Beto Oliveira/Divulgação
Luciano Huck disse que ia passar o telefone de Angélica para uma senhora que perguntou se ele seria candidato à Presidência. Foto: Beto Oliveira/Divulgação

A performance de apresentador e empreendedor que o público esperava na palestra de Luciano Huck no Rec'n'Play ontem durou exatos 15 minutos. Tempo suficiente para ele falar dos personagens pernambucanos que conheceu por conta do programa na televisão e da família construída com a também apresentadora Angélica. Depois disso, Luciano Huck assumiu um discurso totalmente político e apontou a desigualdade como o problema do Brasil que mais o incomoda. "Decidi tentar contribuir de alguma forma. Se a gente não colocar a mão na massa, ninguém vai fazer por nós", afirmou, em determinado momento.

Luciano Huck, que volta a ser lembrado como possível candidato à Presidência da República, deixou claro o seu posicionamento sobre o país. "Você pode juntar todos os filantropos, empreendedores e toda a sociedade civil, e o problema da desigualdade não vai mexer. Só quem tem poder para resolver esse problema é o Estado. E o Estado é gerido pela política. E a política é gerida pelos políticos. Então temos que qualificá-los", disse.

Em 2017, o apresentador ficou perto de disputar a eleição presidencial e chegou a conversar com os líderes do PPS, entre eles Raul Jungmann. O ex-ministro da Defesa, que estava presente na primeira fila da plateia do Rec'n'Play, foi citado quatro vezes por Huck, inclusive sendo chamado de conselheiro. Na palestra, o apresentador falou pela primeira vez abertamente sobre os motivos que o levaram a não se aproximar da política nos últimos dois anos. "Eu tinha dois caminhos. Eu podia seguir sendo um peixinho dourado ali dentro do aquário do Projac, sendo bem alimentado e ficar de perna pro ar gastando o meu dinheiro. Ou não. Poderia tentar contribuir e tentar atuar de forma relevante para trazer um resultado concreto. Desta forma, decidi na ocasião que não ia chegar perto da política, dos partidos, de Brasília. Que ia tentar atuar através dos movimentos cívicos que tem energia da sociedade civil".

Luciano afirmou que a forma que encontrou para contribuir com o país foi o de convocar a sua geração e as próximas para colocar a mão na massa. "Ninguém vai fazer por nós. O Brasil precisa hoje de um roteiro, independente de quem está no poder, de qual é a matriz ideológica, precisamos ter um projeto comum. Eu não aguento mais essa estridência de todo mundo brigando em tudo quanto é canto. Ou todo mundo rema para um lado só ou não vai dar certo", disparou.

Para ilustrar o discurso da desigualdade, Huck não citou nenhuma gestão à frente do Governo Federal, mas falou sobre vários problemas que ele considera ser responsáveis pela disparidade social do país, como o crescimento das favelas nas cidades brasileiras, em especial no Rio de Janeiro, onde ele reside, a má qualidade da educação e da saúde, além da fome. "A sociedade civil se modernizou em todas as suas frentes e você olha pro Estado e ele continua um elefante pesado, lento e velho. Não pode ser assim", disse. O apresentador apontou a educação como uma das soluções para o Brasil. "Ela é a ferramenta mais poderosa da redução da desigualdade, independente de onde você nasceu, da cor da sua pele e seu CEP", ressaltou, citando uma iniciativa do Governo do Estado, que são as escolas de tempo integral, que permitiu a um jovem morador do Ibura fazer intercâmbio no exterior.

Outra alternativa apontada foi a tecnologia. "Já que estou no Porto Digital, se a gente quer ter de fato no Brasil um país eficiente afetivo, eficiente do ponto de vista de ser friendly pro empreendedorismo, desburocratizado para trabalhar, com segurança nas ruas, e, por outro lado, afetivo, que cuide e olhe para as pessoas, a tecnologia vai fazer a diferença".

Já no encerramento, aberto a perguntas, partiu da plateia o questionamento sobre uma possível candidatura dele à Presidência da República. "Vou te passar o telefone da Angélica para a senhora ligar para ela", respondeu, em tom de brincadeira, antes de voltar a assumir o papel de celebridade e tirar selfies com o público.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.