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REAÇÃO

Em live, Bolsonaro nega envolvimento e ataca a Globo e Witzel

Publicado em: 29/10/2019 22:23 | Atualizado em: 29/10/2019 23:15

Segundo Bolsonaro, a Globo inferniza a vida dele o tempo todo. (Foto: Evaristo Sá/AFP)
Segundo Bolsonaro, a Globo inferniza a vida dele o tempo todo. (Foto: Evaristo Sá/AFP)
Em transmissão ao vivo nesta terça-feira (29), o presidente Jair Bolsonaro comenta a reportagem do Jornal Nacional que cita envolvimento dele com pelo menos um dos suspeitos envolvidos com a vereadora morte de Marielle Franco.

De acordo com as informações às quais o jornal teve acesso, o ex-PM Élcio de Queiroz havia solicitado entrada no prédio onde moram o presidente e o ex-policial militar Ronnie Lessa, outro suspeito de estar envolvido com a morte de Marielle. Apesar de ter solicitado acesso à casa de Bolsonaro, Élcio foi para a casa de Lessa.

Bolsonaro, que está na Arábia Saudita, iniciou a live assim que soube da matéria, ou seja, na madrugada do horário local. O presidente tentou se defender da acusação de envolvimento com a morte de Marielle.

Além de informar que no dia do crime estava na Câmara, em Brasília, citando os horários em que sua presença foi registrada no painel eletrônico, o presidente fez duras críticas à rede Globo.

De acordo com Bolsonaro, as informações do processo, que está sob sigilo, teriam sido vazadas pelo governador Wilson Witzel (PSC-RJ). 

Na transmissão, ele também levanta as possibilidades de o porteiro do seu condomínio ter mentido, ou foi induzido a dar um falso testemunho, e até que teriam escrito as informações comprometedoras no inquérito e o porteiro não teria lido antes de assinar. 

O objetivo da reportagem, segundo Bolsonaro, é prejudicar ele e quem está a sua volta. "Todo o tempo, ficam em cima da minha vida, dos meus filhos, de quem é próximo de mim", desabafa. "O processo que corre em segredo de Justiça de repente vaza. E vaza pra quem? Pra Globo! Sempre a Globo a dar furo! A globo disse na matéria que teve acesso a uma planilha, a uma folha de anotações da portaria. Não é verdade. Tiveram acesso ao processo que foi em cima dessa planilha."

"Eles constroem a narrativa e me colocam como suspeito de ter participado ou ser um dos mentores da morte da senhora Marielle Franco, vereadora do PSOL do Rio de Janeiro", conta Bolsonaro.

Mesmo com as digitais registradas no painel, Bolsonaro diz que a Globo levanatará suspeitas de seu envolvimento. "Será que a Globo quer criar um fato, uma narrativa de que eu deveria me afastar ou que o povo deveria ir à rua pedir meu afastamento? Tendo em vista os casos que acontecem sobre o caso Marielle agora? É o tempo todo isso."

Bolsonaro acredita que a Globo só ficará contente quando um dos seus filhos for preso. Em suas críticas à emissora, sobre defesa de bandidos e ataques à família, ficou exaltado e chegou a pedir desculpas, e encerrou convidando os seguidores a sintonizar no Jornal da Record. O presidente chegou a chamar a emissora de patifes e canalhas e dizer que "acabou a mamata".

Em entrevista ao Jornal da Record, Bolsonaro disse que o governador Wilson Witzel, tem interesse no vazamento do inquérito: "Se elegeu graças ao meu filho Flávio, se colou em nós, e, ao assumir, se tornou inimigo e quer nos destruir". E dispara "Ele já se lanla candidato a presidente para 2022. Para atingir seu objetivo, ele tem que detruir a família Bolsonaro".

Após finalizar a transmissão, Bolsonaro publicou no seu perfil do Twitter uma imagem comparando a Globo a um cano de esgoto.

CANALHAS! pic.twitter.com/THbGVEbasE

— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 30 de outubro de 2019
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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