SEGURANÇA INSTITUCIONAL Planalto simula proteção de Bolsonaro contra pistola, fuzil e faca

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 26/09/2019 17:19 Atualizado em:

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em um gesto pouco comum, o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, abriu as portas para jornalistas do centro de treinamento dos agentes que fazem a proteção do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e promoveu apresentações sobre como os seguranças do mandatário reagem a situações de perigo.

"A nossa intenção é mostrar como funciona a segurança do presidente, do vice-presidente e dos familiares, para que [as pessoas] tenham uma noção do grau de preparo que isso exige. Da seleção que tem que ser feita daqueles que participam dessa atividade", afirmou Heleno, ao final da manhã de simulações.

Após uma apresentação do ministro no auditório do GSI, nos anexos do Palácio do Planalto, os repórteres acompanharam uma demonstração de manobras de fuga do comboio presidencial em simuladores; depois, foram conduzidos aos estandes de tiro onde os agentes fazem cursos de aprimoramento, numa região afastada do centro de Brasília.

Foram realizadas demonstrações de engajamento contra possíveis ameaças com pistolas e fuzis.

De acordo com os instrutores, os agentes que fazem a segurança do presidente são treinados para sacar suas pistolas e disparar contra ameaças que estejam armadas em menos de três segundos.

Depois, houve uma apresentação sobre como os agentes de segurança são treinados para reagir em caso de ataque com faca ou arma de fogo.

A cena hipotética envolvia pessoas que se aproximavam da autoridade pedindo fotos e depois sacavam o armamento. Após os agentes neutralizarem a ameça, a pessoa que representava o presidente na cena era escoltada para fora do local.

Por último, o GSI fez duas simulações com o comboio presidencial. Na primeira, os jornalistas assistiram a manobras de fuga na hipótese de o comboio encontrar um obstáculo à sua frente -dois veículos fazem a proteção do carro da autoridade, que recua em marcha ré e escapa com um carro de escolta.

E, na segunda, os agentes realizaram uma simulação de emboscada em que era necessário remover o presidente do local à pé, em meio a forte tiroteio.

De acordo com o ministro do GSI, o corpo de agentes que fazem a segurança do presidente é formada por integrantes das forças armadas e de órgãos como Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e bombeiros.

"Nós temos consciência plena que não existe segurança 100%", disse o ministro. "É lógico que existe um pequeníssimo grau de risco que pode envolver uma situação desagradável", concluiu.

Heleno também fez comparações com outros dois presidentes, Fernando Collor de Mello e Itamar Franco.

De acordo com ele, que trabalhou no GSI nesses dois governos, enquanto Collor seguia à risca as recomendações de segurança, Itamar se incomodava com o esquema de proteção dos agentes e muitas vezes procurava sair sem escolta.

Heleno afirmou que atualmente o GSI busca formas de se adaptar e a garantir a melhor segurança possível a Bolsonaro, um presidente "irriquieto e desobediante" em temas de protocolo.

Heleno já foi alvo de críticas indiretas do filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro.

No início de julho, pouco depois de um militar brasileiro ter sido preso na Espanha com 39 kg de cocaína em um avião a serviço da Presidência, Carlos Bolsonaro comentou numa rede social: "Por que acha que não ando com seguranças? Principalmente aqueles oferecidos pelo GSI? Sua grande maioria podem (sic) ser até homens bem intencionados e acredito que seja, mas estão subordinados a algo que não acredito. Tenho gritado em vão há meses internamente e infelizmente sou ignorado".

Heleno, no entanto, negou que a apresentação desta quinta-feira represente qualquer tipo de recado ou tenha uma "segunda intenção". "Sob minha palavra de intenção, não tem nenhuma segunda intenção isso aqui. Nada escondido, nada prevendo alguma coisa que vá acontecer, nada disso", disse.




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