Declaração Mourão: 'Há uma tentativa de colocar eu e o presidente em pólos opostos'

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 09/09/2019 21:25 Atualizado em:

Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)
Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil
Durante uma rápida coletiva na noite desta segunda-feira (9) no Palácio do Planalto e em seu primeiro dia como presidente interino, Hamilton Mourão contou que visitou Jair Bolsonaro no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo. “O presidente nunca esteve tão bem num pós cirúrgico. Acho que ele está ótimo e vamos esperar que até o final de semana ele já possa repousar em casa”.

Mourão ressaltou ainda que, ao contrário da última vez em que assumiu a presidência, não deve tomar decisões de grande impacto, mas manter o funcionamento normal do governo. 

“Não há nenhuma votação ou decisão importante a ser tomada nesses próximos dias. Pode aguardar tranquilamente o retorno do presidente. Só se ocorrer alguma emergência. A gente nunca sabe.”

Apesar de assumir o cargo de presidência da República interinamente ao menos até quinta-feira (12), Hamilton Mourão parece não gozar de total liberdade do posto. Isso porque, mesmo do hospital, após passar por uma cirurgia de hérnia incisional no domingo (8), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) insiste em manter sob vigia os passos do vice.

Mais cedo, Mourão participou em São Paulo de uma cerimônia de 15 anos do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), onde comentou sobre o conflito comercial entre China e EUA, que o Brasil sai prejudicado com a redução global da atividade. Às 15h, Mourão retornou para Brasília. Por meio das redes sociais, Mourão afirmou também que, na rápida visita, deixou os votos de seguro e breve restabelecimento para Bolsonaro.

Nesta manhã, o porta-voz da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou que, apesar de ainda não ter recebido alta hospitalar, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) manifestou o desejo de despachar os trabalhos de condução do poder executivo a partir desta terça (10), reiterando uma postagem das redes sociais do peeselista, na qual disse que estaria de volta à ativa ainda hoje.

Sobre ter adotado um estilo mais discreto, o chefe do executivo em exercício disse que ‘nada mudou’. “Uma coisa vocês têm que entender que muitas vezes ocorre aí, não sei se com intenção ou não,  uma tentativa de colocar eu e o presidente em pólos opostos. Não é isso. Sou vice-presidente do presidente Bolsonaro. Não compete a mim tecer críticas públicas ao presidente. Qualquer coisa que eu tiver que falar, falo pra ele e não publicamente. Acho que é só isso que tem que ser entendido”, disse.

De acordo com o último boletim médico divulgado, Bolsonaro encontra-se em quadro estável, sem dor, afebril e com boa evolução clínico cirúrgica. Ele ainda iniciou a fisioterapia motora, conseguiu sentar na poltrona e realizar caminhadas no corredor. Uma dieta líquida a base de água, gelatina, chá e caldo ralo foi liberada e, por orientação médica, as visitas continuam restritas.

Rêgo Barros explicou, no entanto, que Hamilton Mourão continua em exercício conforme combinado. “As ações que são legalmente constituídas e determinadas pelo cargo presidente estão sob responsabilidade de Mourão. É claro que o presidente participa das decisões. O presidente jamais deixará de trabalhar ainda que tenha restrições médicas que são consideradas pessoalmente por ele e pela família”, explicou.

“É da natureza do presidente estar a ativa o mais rápido possível. A evolução clínica tem sido positiva e, em razão disso, ele se se mostra disposto a iniciar os trabalhos de condução do poder executivo, ainda que tenhamos o vice-presidente chefiando o governo. É da natureza do presidente. Estamos felizes. Ele tem demonstrado bom humor, postou vídeo hoje onde assistia ao programa predileto dele (Chaves). Ontem viu jogo do Botafogo, ficou feliz porque o Botafogo também é um time do coração do presidente. As expectativas são positivas”, apontou.

O hospital destinou uma ala exclusiva para o presidente e familiares. Ainda não há data definida de alta. “Nesse primeiro momento, o presidente precisa falar pouco e caminhar um pouco mais para que movimentos do intestino retornem naturalmente, ainda não há prazo determinado para alta. O prazo que foi dado inicialmente (10 dias) está mantido”, esclareceu o diretor do Hospital Vila Nova Star, Antônio Antonietto.

Ainda hoje, no final da tarde, o presidente divulgou um vídeo onde aparecia caminhando pelos corredores do hospital.


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