Acolhe Alepe abre porta para novos horizontes

Publicado em: 01/09/2019 10:18 Atualizado em: 01/09/2019 10:34

Valéria Maísa de Lima sonha em ser bombeira. Foto: Leandro de Santana
Valéria Maísa de Lima sonha em ser bombeira. Foto: Leandro de Santana

Um encontro em uma praça na Zona Norte do Recife entre duas adolescentes que já tiveram seus caminhos cruzados antes em casas de acolhimento serviu para celebrar uma nova etapa na vida delas. As histórias de Valéria Maísa de Lima, 16 anos, e Xaiane Lorrainer Silva Amâncio, 17, têm em comum o desejo de trilhar novos horizontes. A partir desta segunda-feira, elas vão ser colegas de estágio na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). As duas foram selecionadas para fazer parte da primeira turma do projeto Alepe Acolhe, em parceria com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), para ajudar na inclusão social e na formação profissional de adolescentes em situação de extrema vulnerabilidade e que estão aptos para adoção.

Deputado estadual Clodoaldo Magalhães. Foto: Divulgação
Deputado estadual Clodoaldo Magalhães. Foto: Divulgação

A ideia do projeto surgiu a partir de uma conversa entre o deputado estadual Clodoaldo Magalhães (PSB) e o juiz da 2ª Vara da Infância e Juventude da Capital, Élio Braz. “Não existia nada nesse sentido na Assembleia e, quando soube da dificuldade na adoção desses adolescentes e da preocupação do juiz da falta de perspectiva para eles, veio a ideia de fazer um programa para acolhê-los”, revela o deputado.

Juiz da 2ª Vara da Infância e Juventude da Capital, Élio Braz.  Foto: Divulgação
Juiz da 2ª Vara da Infância e Juventude da Capital, Élio Braz. Foto: Divulgação

Os jovens participarão de cursos de atualização em língua portuguesa, estrangeira e informática, além de terem aprendizagem de rotinas no ambiente de trabalho. O programa também pretende qualificar os adolescentes para o mercado de trabalho. O estágio, que tem duração de seis meses, podendo ser renovado por mais seis, oferece uma bolsa-auxílio no valor de meio salário mínimo.

“Esse programa veio na hora certa. É uma medida extremamente urgente, que insere na sociedade a prática do acolhimento e isso poderá revolucionar a vida desses jovens dando uma perspectiva para eles”, ressalta o juiz Élio Braz.

Xaiane Lorrainer quer agarrar as oportunidades que lhe foi posta. Foto: Leandro de Santana
Xaiane Lorrainer quer agarrar as oportunidades que lhe foi posta. Foto: Leandro de Santana

Xaiane Lorrainer quer agarrar a oportunidade que lhe foi posta. Depois de uma infância de idas e vindas pelas casas de acolhimento junto com uma irmã e um irmão, ela se viu sozinha após a morte precoce da mãe, soropositiva, aos 46 anos. “Quando minha mãe morreu, meu irmão foi morar com o pai dele, que era meu padrasto, e minha irmã foi morar nas ruas e se drogou. Eu conhecia um conselheiro tutelar e pedi ajuda”, contou.

Desde que voltou para a casa de acolhimento Raio de Luz, ela faz todos os cursos que são oferecidos e está, atualmente, no 4º ano do ensino fundamental na Escola Municipal da Iputinga. “Quero estudar para ser desembargadora. É mais chique do que ir para as favelas como os policiais, mas, até lá, vou estudar e trabalhar para ter minha independência”, contou Xaiane, sem esperança de ser adotada.

Valéria sonha em ser bombeira para ajudar as pessoas, mas sabe que o único caminho para realizar o sonho é pelo estudo. “Já perdi muito tempo brigando com as pessoas e hoje penso em ser bombeira. Também gostaria de ver minha mãe. Ela disse que em dezembro virá aqui, mas não vou voltar para Ibimirim (onde mora a mãe). Quero fazer o estágio e estudar”, contou.


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