Indicação Flávio Bolsonaro diz que não se pode colocar um petista na Procuradoria-Geral

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 21/08/2019 22:35 Atualizado em:

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) negou nesta quarta-feira (21) que esteja apadrinhando o subprocurador-geral Antônio Carlos Simões Martins Soares para o comando da Procuradoria-Geral da República. Filho de Jair Bolsonaro (PSL), Flávio também disse ser óbvio que o presidente escolha alguém que pense como ele.

"Parece meio óbvio. Vou botar um petista na PGR? O presidente vai botar um cara do PSOL? É óbvio. Tem alguma coisa de anormal nisso? Vou botar um cara lá que vai trabalhar contra as pautas voltadas para meio ambiente, para segurança pública, para costumes? Não tem sentido", afirmou Flávio.

Para que a PGR não seja ocupada por um interino, é necessário que o nome escolhido seja sabatinado e aprovado pelo Senado antes de 17 de setembro.

Pela legislação, se a PGR ficar vaga, quem assume interinamente é o vice-presidente do Conselho Superior do Ministério Público Federal. Neste mês, o subprocurador-geral Alcides Martins foi eleito vice-presidente do conselho. Martins é um dos mais antigos membros do MPF.

No início da semana, Antônio Carlos Simões Martins Soares era apontado como o novo favorito de Bolsonaro.

No fim de semana, Bolsonaro havia dito a auxiliares do Palácio Planalto que Soares poderia ser escolhido para substituir a atual procuradora-geral, Raquel Dodge. Na semana passada, Soares foi recebido por Bolsonaro no Palácio da Alvorada e encontrou-se com o ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal, em audiência que não constou da agenda publicada no site do STF.

O nome de Soares havia ganhado força após ser apadrinhado Flávio e por seu advogado, Frederick Wassef. Soares foi recomendado a Bolsonaro na semana passada. No entanto, com a exposição, se desgastou.

Cardoso disputou a eleição interna da categoria, mas não ficou entre os três mais votados. Vários subprocuradores-gerais têm feito visitas a Bolsonaro. Na semana passada, o presidente recebeu Marcelo Rabello, Paulo Gonet e José Bonifácio de Andrada, além de Soares.

Os três nomes que compõem a lista tríplice são, nesta ordem, Mário Bonsaglia, Luiza Frischeisen e Blal Dalloul.

A lista tríplice não tem previsão legal, mas tem sido observada por todos os presidentes da República desde 2003. Bolsonaro não se comprometeu a indicar um dos nomes mais votados pelos colegas.

Flávio negou que tenha apadrinhado Soares.

"Já recebi vários candidatos. Não apadrinhei ninguém. Querem queimar o cara, tentam desqualificar ele porque eu o recebi, porque ele é do Rio? Porque ele é meu candidato? Nunca falei isso. Conheci agora há pouco", afirmou o senador.

Flávio disse que gosta do candidato que seu pai escolher e que todos são "pessoas qualificadas".

Coaf
Em conversa com jornalistas no cafezinho do plenário do Senado, Flávio Bolsonaro também defendeu a interferência do pai em órgãos como Receita Federal e Polícia Federal.

"Se o presidente que teve 57 milhões de votos não pode escolher as pessoas para trabalhar no governo dele... Quem teve 57 milhões de votos foi ele. Ele que manda", afirmou.

Indagado especificamente sobre a transferência do novo Coaf para o Banco Central, disse entender que "foi uma mudança para dar blindagem política, para não ter nenhuma suspeita de intervenção política".

No entanto, na segunda-feira (19), a Folha de S.Paulo mostrou que a medida provisória assinada por Jair Bolsonaro possibilita que ocupantes de cargos comissionados, que não necessariamente são servidores públicos, integrem o quadro técnico-administrativo do órgão, que passa a se chamar Unidade de Inteligência Financeira.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, decidiu indicar Ricardo Liáo para chefiar o novo Coaf. Liáo, 64, é servidor aposentado do BC e já integrava a cúpula do Coaf desde abril de 2013. Sua ascensão foi planejada pelo Ministério da Economia para transmitir a mensagem de que não haverá quebra nos trabalhos mesmo com as mudanças estruturais feitas no órgão.

Criado em 1998, o Coaf é um órgão de inteligência financeira que investiga operações suspeitas e se tornou pivô neste ano de uma investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

O Coaf recebe informações de setores que são obrigados por lei a informar transações suspeitas de lavagem de dinheiro, como bancos e corretoras. O conselho analisa amostras desses informes e, se detectar suspeita de crime, encaminha o caso para o Ministério Público.

Durante a crise do mensalão, ofícios do Coaf entregues à CPI dos Correios indicaram, por exemplo, grande volume de saques em espécie por parte da SMPB, empresa de Marcos Valério, o operador que abasteceu o esquema de pagamentos a políticos da base do governo petista.

Mais recentemente, o Coaf identificou movimentações atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

De acordo com o órgão, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão de janeiro de 2016 ao mesmo mês de 2017 – entraram em sua conta R$ 605 mil e saíram cerca de R$ 600 mil. A quantia foi considerada incompatível com o patrimônio do ex-assessor de Flávio.

Cultura
O senador também comentou a saída do Secretário especial da Cultura, Henrique Pires, que, após a suspensão de um edital de projetos LGBT para TVs públicas, anunciou que deixará o cargo por não admitir que o governo imponha "filtros" na cultura. 

O Ministério da Cidadania, no entanto, divulgou nota informando que "ao contrário da versão divulgada pelo ex-secretário especial da Cultura José Henrique Pires, o cargo foi pedido pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, na terça-feira (20), à noite, por entender que ele não estava desempenhando as políticas propostas pela pasta".

Ao ser questionado, Flávio Bolsonaro disse não estar sabendo da saída de Pires, mas defendeu a substituição.

"Será que o presidente não pode interferir no ministério, mudar um secretário? Todo mundo sabe qual a nossa linha. Por que ficar insistindo com uma linha que sabe que a gente não autoriza, que não é alinhada com aquilo que o eleitor que votou com a gente espera?", indagou o senador.

Embaixador em Washington
Flávio Bolsonaro defendeu o nome do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), seu irmão, como embaixador do Brasil nos Estados Unidos.
Segundo Flávio, Eduardo continua conversando com senadores, já que a indicação de embaixadores tem que ser aprovada no Senado.

"Está sendo uma aceitação muito boa. Acho que aqueles senadores estão dispostos a ouvir o Eduardo, veem que ele é uma pessoa preparadíssima, que não é desqualificado como alguns, precipitadamente, disseram. A imprensa dá mais visibilidade para o cara que é contra [a indicação]. Parece que virou missão de alguns veículos de comunicação atacar o governo, porrada no governo todo dia."

O presidente Jair Bolsonaro ainda não oficializou a indicação de Eduardo para o cargo em Washington.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.