entrevista Ex-chanceler defende quadros do Itamaraty após crítica de Bolsonaro

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 18/07/2019 22:07 Atualizado em:

Wilson Dias/Agência Brasil
Wilson Dias/Agência Brasil
O ex-chanceler Celso Amorim saiu em defesa dos quadros do Itamaraty após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que, desde 2003, os diplomatas que chefiaram a embaixada brasileira em Washington, nos Estados Unidos, não fizeram “nada de bom” para o país.

“Eu não sei qual é a concepção do presidente para fazer essa afirmação, e nem quero polemizar com o presidente da República, mas o quadro de funcionários do Itamaraty é altamente capacitado e respeitado internacionalmente”, disse Amorim, que foi ministro das Relações Exteriores de 2003 a 2011, durante os governos dos ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Segundo ele, no período citado por Bolsonaro, a diplomacia brasileira manteve prestígio e respeito internacionais, devido a uma densa formação e ao preparo intelectual dos diplomatas.

O ex-chanceler afirmou, ao contrário de Bolsonaro, que “todos os embaixadores que chefiaram a embaixada brasileira em Washington são dotados do mais elevado nível de formação, e que alguns deles até se tornaram ministros, como Antônio Patriota”, que foi chanceler durante o governo de Dilma Rousseff.

Amorim também citou momentos importantes da diplomacia brasileira, como um diálogo de alto nível com o ex-secretário de Estado americano Collin Powell, “com quem mantive conversações sobre diversos temas, entre eles a Venezuela”. O ex-ministro citou também a boa relação mantida com os EUA durante o governo do ex-presidente George W. Bush.

“É claro que a diplomacia pode ser eficiente também quando diz não, como foram as negociações sobre a Alca”, a Área de Livre Comércio das Américas, que “não correspondiam aos interesses do Brasil”.

“Eu me recordo que, desde há muitos anos, desde quando eu era 2º secretário, a diplomacia brasileira já era considerada a melhor do mundo, uma referência mundial, em razão do preparo intelectual de seus representantes, do compromisso com a não intervenção, a autodeterminação dos povos e a solução pacífica das controvérsias”, disse Amorim.


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