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Notícia de Política
Crítica Mourão critica Macri um dia antes de visita de Bolsonaro

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 05/06/2019 23:21 Atualizado em:

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Na véspera da visita de Jair Bolsonaro (PSL) à Argentina, o vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB), criticou o mandatário do país vizinho, Mauricio Macri.

Em evento fechado para empresários nesta quarta-feira (5) num hotel no Recife, Mourão afirmou que o presidente argentino, aliado de Bolsonaro, não conseguiu realizar as reformas estruturantes necessárias.

"Foi tímido, foi devagar nisso. Perdeu o passo, mas é aquele em quem ainda confiamos", disse.

Mourão também lembrou que o panorama político apresenta dificuldades para a reeleição de Macri.

"Parece que é difícil para ele vencer as eleições no atual momento. Nos preocupa a volta do kirchnerismo na Argentina, o que pode representar problemas de relacionamento com o nosso país", alertou.
 
Mourão esteve na capital pernambucana para receber da Câmara de Vereadores o título de cidadão recifense.

O vice-presidente ressaltou a importância da parceria comercial com a Argentina e comentou que havia expectativa grande com a vitória de Macri, que liderou uma frente de centro-direita em 2015.

A reeleição do presidente argentino está em xeque, no entanto. A mudança na principal candidatura de oposição, com Alberto Fernández no topo da chapa kirchnerista, e a ex-presidente Cristina Kirchner como vice, o pegou de surpresa. As pesquisas mostram aumento de chances desta composição.

A Argentina em que Bolsonaro desembarca nesta quinta (6) já não é mais o país que Macri queria, desde o início de seu governo, exibir ao mundo.

Hoje, a maior preocupação do governo gira em torno das eleições de outubro e de assuntos internos, como o agravamento da crise econômica – inflação acumulada em 55% nos últimos 12 meses e perspectiva de PIB negativo neste ano, além do aumento da pobreza.
 
Bolsonaro, no entanto, disse em entrevista ao jornal argentino La Nación que apoia a política econômica "saudável" de Macri.

"[Os argentinos] podem contar com o apoio do Brasil no que for necessário para que possamos fazer o melhor para o povo argentino através de uma economia saudável como a que estamos tendo com Macri", disse.

Os principais temas da agenda do encontro entre Bolsonaro e Macri em Buenos Aires deverão ser econômicos.

Os argentinos esperam tratar da retomada do intercâmbio na indústria automotiva – que esfriou durante o kirchnerismo (2007-2015) e até hoje não se recuperou –, da possibilidade de um acordo energético, de um pacote de cooperação binacional em segurança (especialmente na fronteira, devido ao narcotráfico e ao contrabando) e da anunciada "flexibilização do Mercosul", desejada por ambos, mas ainda não levada adiante.

Além disso, para sair da recessão, a Argentina precisa muito que o Brasil volte a crescer.

Para cada 1 ponto de crescimento do PIB brasileiro, o da Argentina costuma crescer automaticamente 0,5. E, quando o PIB do Brasil cai, o da Argentina cai na mesma proporção, como explicou à reportagem o ministro Nicolás Dujovne, que se reunirá com seu homólogo brasileiro, Paulo Guedes.

Por outro lado, analistas afirmam que não seria bom para Macri sair numa foto apertando as mãos de Bolsonaro, devido à ampla rejeição que o brasileiro tem com a esquerda e o peronismo na Argentina.
 
Para o analista Raúl Ochoa, por exemplo, "essa imagem pode até enfraquecer Macri, porque Bolsonaro fala de esquerda e direita, enquanto Macri evita esses termos, que considera atrasados, e amplia seu discurso em busca de votos em outros campos políticos".

Além disso, pautas que Bolsonaro defende, como a da Previdência, enfrentam resistência na Argentina.

Uma reforma muito mais branda que a proposta no Brasil foi aprovada no país em 2017. Ainda assim, houve uma batalha campal diante do Congresso, com feridos e detidos.

Por conta disso, Macri adiou, sem data para ser retomada, a ideia de enviar ao Congresso uma reforma trabalhista, que diminuiria direitos ou flexibilizaria contratos. Os sindicatos, muito fortes na Argentina, prometeram uma série de ações se o governo levasse a cabo essa agenda.

Falar de ambos os assuntos agora, portanto, seria espinhoso para Macri, que não quer perder mais votos.

Para o economista Marcelo Elizondo, Macri é partidário de mudanças no Mercosul, mas tratar do tema em período eleitoral também poderia prejudicá-lo.

"Existe no Mercosul uma ideia de avançar na redução dos impostos. A média do bloco é de 11%, e o Brasil quer reduzi-lo a 5,5%. É uma redução enorme e poderia causar problemas para a Argentina e sua relação com empresários."

"Ideologicamente, Macri e Bolsonaro estão de acordo com as reformas que querem para o Mercosul, mas para Macri anunciar publicamente algo sobre isso agora pode não ser conveniente politicamente."


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