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Notícia de Política
caso queiroz Pagamento de Queiroz a hospital em dinheiro vivo foi informado à Receita

Por: Italo Nogueira - Folha Press

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 29/05/2019 14:45 Atualizado em:

Foto: SBT/Reprodução
Foto: SBT/Reprodução
O pagamento em dinheiro feito pelo ex-policial militar aposentado Fabrício Queiroz a um hospital de elite de São Paulo foi comunicado à Receita Federal.

Ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente da República, Queiroz desembolsou R$ 133,6 mil em dinheiro vivo para quitar seu tratamento contra um câncer (cirurgia, internação e equipe médica) no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. 

Ele permaneceu internado de 30 de dezembro do ano passado a 8 de janeiro.
 
A comunicação à Receita cumpre determinação do governo federal, que exige ser informado sobre todas as operações realizadas em espécie acima de R$ 30 mil.

Em nota, o hospital afirma não poder dar informações específicas sobre seus pacientes, em razão de sigilo e privacidade. Declarou, contudo, que segue a instrução normativa da Receita Federal.

Segundo a reportagem apurou, a Receita foi comunicada sobre o pagamento de Queiroz.

"O dinheiro em espécie é uma das formas de pagamento aceitas pelo Einstein", afirma o hospital, em nota, citando legislação a respeito.

"Não cabe a um hospital fazer julgamentos de valor sobre pessoas que buscam o seu cuidado e, sim, cumprir a sua missão e as obrigações legais", completa o Einstein.

De acordo Paulo Klein, advogado que defende Queiroz, o ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio pagou em espécie R$ 64,6 mil ao Albert Einstein pelos serviços hospitalares, R$ 60 mil à equipe médica e R$ 9.000 ao oncologista. O hospital recebeu também R$ 5.400 por cartão de crédito.

O advogado afirma que o pagamento está dentro da capacidade financeira da família de Queiroz que, somada, tem uma renda anual de R$ 500 mil, segundo ele.

O dinheiro, disse o advogado, fazia parte de uma reserva financeira que tinha como objetivo amortizar uma dívida imobiliária. A defesa não explicou por que foi usado dinheiro em espécie.

O PM aposentado é pivô da investigação do Ministério Público do Rio contra Flávio Bolsonaro. A apuração começou após um relatório do governo federal ter apontado a movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz de janeiro de 2016 a janeiro de 2017.

Além do volume movimentado, chamou a atenção a forma com que as operações se davam: saques e depósitos em dinheiro vivo. As transações ocorriam em data próxima do pagamento de servidores da Assembleia Legislativa do Rio.

Espécie de chefe de gabinete de Flávio, Queiroz reconheceu ter recolhido parte do salário de servidores do gabinete do então deputado estadual de 2007 a 2018. O objetivo, disse Queiroz, era contratar assessores informais para o então deputado e ampliar a base eleitoral do filho do presidente da República.

Desde então, Flávio já afirmou que talvez tenha confiado demais no ex-assessor. A interlocutores o presidente Bolsonaro já falou em traição, como informou a Folha de S.Paulo.

A defesa de Queiroz nega que a prática de contratar assessores informais seja um crime, mas o policial militar aposentado diz se sentir culpado pela crise política em torno do caso.

Em razão da internação, Queiroz não compareceu aos depoimentos marcados no Ministério Público no fim do ano passado e no início de 2019. Sua defesa apresentou petição na qual admitiu que recebia parte dos valores dos salários dos colegas de gabinete.

Segundo o Ministério Público do Rio, há indícios robustos dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete de Flávio. Foi com base nesses indícios que a Promotoria solicitou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 86 pessoas e nove empresas.

Flávio foi um dos atingidos pela medida, deferida pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. Uma das bases para a conclusão do Ministério Público foi o posicionamento da defesa do ex-assessor Fabrício Queiroz.

No caso de Flávio, uma comunicação do Coaf se refere a 48 depósitos sequenciais de R$ 2.000 em espécie em sua conta bancária de 9 de junho a 13 de julho. O senador afirmou que esses valores se referem a uma parcela do pagamento que recebeu em dinheiro pela venda de um imóvel no período e que foram depositados por ele mesmo num caixa eletrônico. 


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