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Política

Em depoimento prestado à PF, empreiteiro reforça elo de Baiano com o PMDB

O presidente da Andrade Gutierrez, preso na sexta-feira, afirma que lobista pediu dinheiro para o partido

Publicado: 24/06/2015 às 08:53

Fernando Baiano foi preso em 19 de novembro de 2014 e, desde então, está detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba/Geraldo Bubniak/AGB

Fernando Baiano foi preso em 19 de novembro de 2014 e, desde então, está detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba/Geraldo Bubniak/AGB

Fernando Baiano foi preso em 19 de novembro de 2014 e, desde então, está detido na Superintendência da Polícia Federal em CuritibaO presidente da construtora Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, preso na sexta-feira passada, durante a 14ª fase da Operação Lava-Jato, afirmou, em depoimento prestado à Polícia Federal, que o lobista Fernando Soares, mais conhecido como Fernando Baiano, um dos operadores do esquema criminoso descoberto na Petrobras, pediu dinheiro para a campanha do PMDB. Desde que Baiano foi preso, em novembro passado, a sigla nega qualquer ligação com o lobista e voltou a rechaçar as acusações. Ele responde a processo por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava-Jato. A CPI da Petrobras, controlada nos bastidores pelo PMDB, sofreu críticas, principalmente de petistas, por ter protelado a votação do requerimento para convocação de Fernando Baiano. Depois de muita pressão, o lobista foi ouvido, com outros presos, em Curitiba. O presidente do colegiado, Hugo Motta (PMDB-PB), afirma que as pessoas que estão presas não vão ser ouvidas em Brasília. O operador do PMDB no esquema ficou calado durante o depoimento. %u201CVou recorrer ao direito de permanecer em silêncio atendendo às orientações dos meus advogados de defesa%u201D, afirmou na oitiva de 11 de maio, cujo teor foi disponibilizado ontem. Baiano é um dos principais alvos de investigação relativa ao suposto recebimento de propinas por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), referente a contratos de aluguel de sondas de perfuração em águas profundas. No termo de declaração do empreiteiro, o dono da Andrade Gutierrez conta que o lobista o abordou para falar das doações eleitorais. "Em uma oportunidade, solicitou doação oficial de campanha, possivelmente para o PMDB, o que foi prontamente rechaçado, porque já existia um critério de doação para o diretório nacional sem a existência de intermediário", diz o documento. No mesmo depoimento, prestado em 19 de maio, Azevedo afirma que conheceu Fernando Baiano "em 2009 ou em 2010". O empreiteiro afirmou que o lobista esteve quatro vezes no escritório dele para propor parcerias em obras de infraestrutura. Azevedo revelou ainda que o único político do Partido Progressista (PP) - uma das siglas beneficiadas pelo esquema de corrupção - com quem esteve foi o "então senador pelo Rio de Janeiro Francisco Dornelles. Em relação aos políticos do PMDB, ele citou que "conheceu e teve relação institucional" com o vice-presidente da República, Michel Temer; com o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha; com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha; com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes; e com o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. Também citou o peemedebista Aloisio Vasconcelos. Sérgio Cabral e Eduardo Cunha são alvos de inquéritos da Lava-Jato. Lancha Otávio Azevedo confirmou, no depoimento, que vendeu uma lancha a Baiano em 2012, por R$ 1,5 milhão. "Fernando Baiano, por ser proprietário de lancha e imóvel em Angra dos Reis (RJ), soube da venda e entrou em contato com o declarante, a fim de adquirir a embarcação", diz o documento judicial. De acordo com o empreiteiro, o pagamento, incluindo cheques e transferências eletrônicas, foi feito por meio de uma empresa do lobista. O empresário negou que tivesse conhecimento de uma tabela escrita pelo ex-assessor parlamentar João Cláudio Genu, condenado no processo do mensalão, na qual estariam relacionadas empresas, executivos e resultados de contatos visando à captação de recursos para "a suposta campanha de Lindbergh Farias (PT-RJ)". Ele declarou ainda que acredita que a sua empreiteira foi envolvida "no esquema denominado petrolão pelo simples fato de fazer parte e atuar no mesmo setor das demais grandes empresas citadas". Nos próximos dias, o empreiteiro vai ser ouvido novamente pela Polícia Federal. Como ele está preso preventivamente, a oitiva ainda não foi marcada. Ontem, os policiais ouviram quatro presos provisórios, dois executivos da Andrade Gutierrez e dois ligados à construtora Odebretch. Um deles foi Flávio Lúcio Magalhães. De acordo com o advogado Guilherme San Juan Araújo, o cliente esclareceu que jamais foi diretor da Andrade Gutierrez ou pertenceu ao quadro de funcionários da empresa. "A informação de que era diretor Institucional é um equívoco e já foi esclarecida às autoridades", alegou o defensor. Até o fechamento desta edição, a Polícia Federal ainda ouvia o executivo da Odebretch Alexandrino Ramos de Alencar.
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