Paulo Roberto Costa nega ser o culpado pelo prejuízo bilionário da Petrobras em Pernambuco
Publicado: 20/01/2015 às 10:10

Obra em Pernambuco é a mais cara em andamento no país. Foto: Helder Tavares/DP/D.A. Press()
O ex-diretor da Petrobras e um dos principais delatores da Operação Lava-Jato, Paulo Roberto Costa não quer “levar a culpa sozinho”. Através de seu advogado, o ex-diretor defendeu-se nesta segunda-feira (19) depois da tentativa da estatal de responsabilizá-lo pelos prejuízos bilionários na construção da Refinaria Abreu e Lima, no município de Ipojuca, no Grande Recife. Quando a obra foi iniciada, em 2005, o custo inicial era de US$ 2,5 bilhões, hoje, no entanto, o valor gira em torno dos US$ 18,5 bilhões.
“Dessa forma, parece que ele é o algoz de uma perda bilionária para a Petrobras. Isso não é verdade”, disse o advogado de Costa, João de Baldaque Mestieri ao jornal Folha de S. Paulo. “Ele não tinha autonomia para autorizar esse tipo de gasto”. No domingo, o jornal revelou que a refinaria em construção em Pernambuco vai gerar uma perda de US$ 3,2 bilhões para a estatal. As receitas futuras do projeto, quando estiver em pleno funcionamento, não devem bancar os prejuízos do investimento. Ou seja, a obra nascerá operando no vermelho.
[SAIBAMAIS]
A reação de Paulo Roberto Costa foi que, após a publicação da reportagem da Folha, a Petrobras deu sua versão sobre os fatos. A empresa divulgou uma nota afirmando que o ex-diretor ocupava a diretoria de Abastecimento e propôs um plano de antecipação das obras na refinaria de Pernambuco, o que teria levado a “um grande número de aditivos contratuais”, que são despesas pagas, em caráter de emergência, fora do processo de licitação. A antecipação das obras não é recomendada pela área técnica da estatal em fase inicial.
A “sugestão” de Paulo Roberto Costa obrigou a estatal a fazer diversas mudanças no projeto, encarecendo as obras. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-diretor disse que cobrava propina das empreiteiras envolvidas na obra, ficando com uma parte do dinheiro e repassando o restante a partidos políticos, como PP e PMDB. “Não se pode atribuir ao Paulo Roberto a culpa pelo aumento de custo de Abreu e Lima. Toda essa investigação sobre a Petrobras se origina da decisão dele de ficar em paz e fazer a delação”, disse Mestieri.
O advogado de Paulo Roberto disse que seu cliente não podere ser responsabilizado como “único culpado” nas mudanças do projeto. De acordo com ele, foi realizado um plano de antecipação da refinaria por toda a diretoria executiva da empresa em 2007. O plano teria o aval da atual presidente Graça Foster. “Ele nunca poderia ter feito isso sozinho. Na época, o Brasil precisava elevar a sua capacidade de refino para reduzir o prejuízo com importações de combustíveis. Daí a necessidade de construir novas refinarias o quanto antes”, disse Mestieri.
Em 2009, o projeto já dava sinais que estava com a rentabilidade comprometida. A diretoria da Petrobras, no entanto, aprovou que a construção da refinaria entrasse formalmente em sua fase de execução. As obras atrasaram, mas o conselho de administração da estatal determinou que o projeto seguisse adiante em 2012. Nessa época, o prejuízo estimado pela área técnica era de US$ 3,2 bilhões. Atualmente, a Refinaria Abreu e Lima é a obra mais cara em curso no Brasil. Ela supera a Comperj e a usina de Belo Monte.

