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O mundo natural e o artificial (I)

Rodrigo Pellegrino de Azevedo
Advogado e Especialista em Transformação Digital

Publicado em: 15/05/2024 03:00 Atualizado em: 15/05/2024 00:03

Se, nesse exato momento que escrevo, ou mesmo, se no preciso tempo em que você inicia a leitura deste texto, o sol viesse a explodir, teríamos, eu escritor e você leitor, apenas 08 (oito) minutos de vida. Isso se deve ao fato do Planeta Terra estar a oito-minutos luz de nosso habitat. Acontecendo isso, a única alternativa nossa, dadas as circunstâncias do tempo para busca de alguma eventual tentativa de sobrevivência, seria nós, humanos, em apenas 08 (oito) minutos, termos condição de pegarmos o foguete mais rápido desenvolvido e partirmos para uma estrela mais próxima.

Mas podem ficar tranquilos. Essa estrela existe, chama-se Alfa Centauro. Ocorre que teremos um pequeno problema. Ela se encontra a 4,37 anos luz de distância. Desse modo, do início da sequência do sol explodindo, todos nós olhando para o céu, localizando a estrela, e definindo "é para aquela estrela que partiremos", teremos apenas 08 (oito) minutos para arrumar as malas e pegar o primeiro foguete disponível, com mais um pequeno detalhe, conseguirmos provisionar alimentos suficientes para mais 4,37 anos, até chegarmos na estrela salvadora (algumas toneladas, a depender do grupo viajante).

Por outro lado, ainda nesse mesmo ínterim, o que não seria impossível de ocorrer, poderia haver algum incauto a ponderar "se não seria mais interessante pensarmos em migrar para uma outra Galáxia Vizinha", ao invés da estrela mais próxima, já que a possibilidade de não existir um planeta habitável, em nossa Via Láctea, seria muito alta, pois, até agora, não tivemos visita alguma de vida inteligente semelhante à nossa aqui na Terra. Em prevalecendo a opção de uma outra Galáxia, o melhor seria partirmos para Andrômeda, a mais próxima, e, nos mesmos 08 (oito) minutos restantes, nos prepararmos para uma viagem mais longa, sabendo que não conseguiremos terminá-la, pois, levaríamos 2,5 milhões de anos para chegarmos até ela, e, se tivermos uma sequência exitosa de reprodução durante o percurso, capaz de termos descendentes vivos até lá, a humanidade finalmente estaria salva!

Assim como imaginamos fugas quase fantásticas para o espaço, também sempre podemos imaginar os possíveis avanços da técnica e da tecnologia em nosso planeta, desde nossos mais remotos ancestrais, e hoje, particularmente, no que diz respeito às possibilidades da inteligência artificial (IA) em interação com a vida humana. Este desenvolvimento que, pareceu surgir da ficção científica, está se tornando uma parte integrante e influente em nosso mundo. As máquinas, antes simples ferramentas nas mãos dos seres humanos, hoje começam a adquirir a capacidade de ter e nos dar ideias, aprender, nos ajudar a pensar e até escrever - quem escreve agora sou eu, ou uma máquina (?).

Esse modelo de inteligência hoje, aprende a tomar decisões em ambientes complexos, bem mais rapidamente e, em muitos casos, mais eficientes que nós mesmos, a depender da natureza do aprendizado e da pessoa. Essa velocidade, por certo, ainda não nos levará, tão rapidamente para Alfa Centauro ou Andromeda, mas irá cada vez mais nos modificar como seres humanos e pessoas, do mesmo modo e impacto que tiveram os artefatos criados pela técnica humana que moldou os nossos parentes mais distantes.

E assim, a inteligência artificial como mais um artefato da inventividade humana, depois da roda, com capacidade ampliada de movimentar e estender o mundo físico, terá o desafio de se colocar compreendida como algo a serviço da humanidade. E esse é, efetivamente, um desafio, pois desde os primórdios de nossa existência, a mesma roda inventada que encurtou o espaço, para se levar alimento de um conto a outro, foi também a roda que levou canhões ao longo de nossa história para destruição de outros humanos. Do mesmo modo, a anergia atômica, comprimida num artefato de destruição, também permitiu o desenvolvimento de outras tantas tecnologias salvadoras. Este primeiro artigo é apenas o início de uma exploração mais profunda sobre o que realmente é a inteligência artificial, seus potenciais benefícios e os riscos que ela carrega. Conforme avançarmos nesta série, veremos como a IA, um experimento inovador e poderoso, poderá transformar nossa existência, conscientes de que, também, poderá destruir muitas coisas, assim como nos salvar, efeito da mudança natural e física de nossa realidade, tanto por eventos que temos governabilidade, quanto por eventos ingovernáveis, como a explosão de nosso sol.

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