Painel político Muito ajuda quem não atrapalha

por Daniela Lima/folhapress
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Publicado em: 03/07/2019 09:00 Atualizado em:

A divisão no PSL, o partido de Jair Bolsonaro, deu fôlego aos deputados de oposição e de parte das siglas de centro-direita que agem para adiar a votação da reforma da Previdência. As ações da ala da legenda que tenta a todo custo inserir regras de transição mais amenas para forças de segurança no texto acabaram servindo de biombo para o grupo que, insatisfeito com o ritmo da liberação de emendas, já não pretendia votar, nesta semana, na comissão especial, mudanças nas aposentadorias.

Até o limite // Cerca de 20 deputados do PSL que são vinculados a carreiras da segurança ainda vão tentar, nesta quarta (3), convencer o relator da reforma na Câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP), a acatar proposta que ameniza as regras de aposentadoria de suas categorias.

Outro lado // As assessorias do Instituto Ethos, do GVethics e da IFC emitiram longo texto no qual afirmam que “são somente facilitadores da iniciativa” de criação do Instituto de Integridade de Autorregulação do Setor de Infraestrutura. Na segunda (1º), o Painel mostrou que a entidade abriga interesse da Odebrecht de voltar a controlar o mercado.

Outro lado 2 // As três organizações dizem que “o instituto ainda não existe” e que a iniciativa é suportada por 22 empreiteiras. O projeto foi oficialmente lançado em maio. Elas informam ainda que o general da reserva Sérgio Etchegoyen é secretário-executivo da instituição. A coluna disse que ele foi o escolhido para presidi-la.

Outro lado 3 // O Painel informou na segunda (1º) que a ideia de fundação do instituto partiu da Odebrecht, empresa que protagonizou reuniões para angariar parceiros e apresentou a proposta do instituto. Já as três entidades dizem que o projeto nasceu de conversas entre vários agentes do setor, entre eles a empreiteira.

Verão passado // A informação de que a Polícia Federal solicitou ao Coaf análise das contas de Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, foi comparada no meio jurídico a atitude que Sergio Moro (Justiça) tomou em 2006, ainda juiz, após receber informação, por meio de um criminoso que se tornou delator, de que que havia sido ilegalmente gravado.

Verão passado 2 // O advogado Roberto Bertholdo, acusado de ser o autor do grampo, foi investigado e condenado. Moro se afastou após homologar a delação e instruir o caso – não chegou a julgá-lo. Depois, Bertholdo foi alvo de acusação de calúnia e difamação –ele havia acusado o ex-juiz de “agir com arbitrariedade e abuso de autoridade”.

Verão passado 3 // A ação foi impetrada pelo Ministério Público Federal, mas Moro aparece no processo como “assistente” da acusação. A mulher, Rosângela Moro, foi sua advogada. Bertholdo foi condenado neste processo –e no qual foi pego após a delação homologada por Moro.

Por pouco // Na oitiva na Câmara, nesta terça (2), o ex-juiz disse que nunca processou jornalista. Mensagens enviadas por fonte anônima ao The Intercept e analisadas pela Folha e pelo site mostram que ele quase subverteu as próprias regras em 2017, após a colunista Mônica Bergamo publicar acusações feitas por Rodrigo Tacla Duran à Lava Jato.

Por pouco 2 // “Ridículo”, escreveu o então juiz a Deltan Dallagnol. “Estou pensando em entrar com ação por danos morais contra ela.” Não entrou.

Laços de família... // A mãe da cineasta Petra Costa, do documentário Democracia em vertigem, abrigou, segundo relatos uma das filhas de Lula, Lurian, durante uma temporada de seis meses em Paris. Petra aborda no filme a trajetória de militância política de esquerda de seus entes próximos, inclusive a mãe, mas não aborda este episódio.

Tiroteio

"Tiririca dá conselho porque Bolsonaro abriu essa brecha. Mas melhor ele que o Ernesto Araújo. A que ponto chegamos..."
Do deputado Alexandre Frota (PSL-SP), após o deputado Tiririca (PL-SP) dizer à Folha que o presidente Bolsonaro deve descer do pedestal

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