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GUERRA

Investigação sobre UNRWA concluiu que não há provas que envolvam seus funcionários ao Hamas

Segundo o relatório de investigação independente, Israel não forneceu qualquer prova substancial que sustente a acusação contra a agência da ONU

Publicado em: 23/04/2024 12:12 | Atualizado em: 23/04/2024 12:34

Acusações de Israel contra a UNRWA levaram cerca de 16 países a suspender ou congelar financiamentos (Foto: Jaafar Ashtiyeh/AFP)
Acusações de Israel contra a UNRWA levaram cerca de 16 países a suspender ou congelar financiamentos (Foto: Jaafar Ashtiyeh/AFP)
A conclusão da investigação independente sobre a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) indicou em seu relatório final que as autoridades israelenses não têm provas do envolvimento de funcionários da agência da ONU relacionados a atividades terroristas. Mas, apontou alguns aspectos que podem melhorar a neutralidade e transparência. 
 
Segundo o relatório, Israel não forneceu qualquer prova substancial que sustente a acusação contra a agência da ONU. O documento foi elaborado com base em reuniões com todas as partes, incluindo o governo israelense. “Na ausência de uma solução política entre Israel e os palestinos, o trabalho da agência é insubstituível e indispensável em vários domínios sociais, como nos cuidados de saúde e educação. Muitos vêem a UNRWA como uma tábua de salvação humanitária", afirma o documento.
 
Entretanto, para os investigadores, deve haver uma maior supervisão e processos disciplinares mais rigorosos para o pessoal, assim como o respeito permanente do caráter civil das instalações e à omissão de preconceitos ideológicos nas escolas da UNRWA, revendo o conteúdo do material e proibindo qualquer discurso de ódio ou referências antissemitas. O relatório ainda apela a uma maior transparência em relação aos doadores e a uma melhoria da estrutura interna da UNRWA, incluindo o gabinete responsável pela análise das questões éticas. A equipe investigativa indica que a UNRWA criou um quadro profundo para tentar detectar eventuais violações desta neutralidade, no entanto constataram que há margem para melhorias em termos das opiniões políticas que os funcionários expressam publicamente.  
 
As acusações de Israel contra a agência levaram cerca de 16 países a suspender ou congelar o financiamento, privando a UNRWA de 450 milhões de dólares e ameaçando a continuidade das suas operações, tanto na Faixa de Gaza como em outras zonas da região onde também estão presentes refugiados palestinos.
 
O secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou a investigação, chamou-a de essencial e disse que seguirá todas as recomendações do relatório. “Será feito um plano de ação em coordenação com o comissário geral da UNRWA, Philippe Lazzarini. Espero que os doadores, os países de acolhimento e os trabalhadores cooperem plenamente na aplicação das recomendações", avançou Guterres, que destacou a necessidade de apoiar ativamente o trabalho da UNRWA, que é "espinha dorsal" da ajuda humanitária na Faixa de Gaza e aos refugiados palestinos na região.

Além do trabalho do comitê independente para avaliar a UNRWA, a ONU tem ainda em curso uma investigação interna iniciada pelo Gabinete de Serviços de Supervisão Interna, após as alegações de Israel contra os funcionários da UNRWA.
 
A União Europeia apelou hoje aos doadores da UNRWA para continuarem a apoiar a organização após a investigação independente.  "Apelo aos doadores para que apóiem a UNRWA, que é vital para os refugiados palestinos", afirmou Janez Lenarcic,  comissário europeu para Ajuda Humanitária e Gestão de Crises.

A União Europeia é o maior doador da UNRWA. 

Israel refuta investigação independente da ONU
 
Por outro lado, o governo de Israel diz que a investigação independente da UNRWA não foi genuína nem exaustiva ao investigar alegadas ligações terroristas de funcionários. “Parece uma tentativa de evitar o problema e não encará-lo de frente", disse Oren Marmorstein,  porta-voz da chancelaria israelense. Tel Aviv considerou que o relatório ignora a gravidade do problema e propõe soluções ‘cosméticas’ que não respondem à infiltração do Hamas na agência.
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