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CRISE HUMANITÁRIA

Conflito no Sudão causa a maior crise de deslocados do mundo

Milhares de pessoas continuam a fugir em busca de segurança

Publicado em: 22/12/2023 14:51 | Atualizado em: 22/12/2023 16:35

Conflito se intensificou nas últimas semanas (foto: AFP)
Conflito se intensificou nas últimas semanas (foto: AFP)

O atual conflito armado no Sudão entre o exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF) já deslocou mais de 7,1 milhões de pessoas, entre os quais mais de três milhões de crianças, provocando a maior crise de deslocação do mundo e mergulhando o país numa profunda crise humanitária. Milhares de pessoas continuam a fugir em busca de segurança, à medida que os refúgios seguros começam a escassear no país com o alastramento do conflito e da violência nas últimas semanas. 

 

Com mais de metade dos Estados vivendo um conflito ativo, dez no total de 18 Estados que compõe o país, o Sudão enfrenta atualmente uma redução drástica das zonas de segurança no país e a maior crise de deslocação de pessoas e crianças do mundo, que têm sido forçadas a fugir da violência generalizada em busca de segurança, mas também de comida e água, abrigo e proteção. “A escalada dos combates no Estado sudanês de Al-Jazira, no centro-leste do país, obrigou pelo menos 300 mil pessoas a fugir o que elevou a população de deslocados para 7,1 milhões, das quais 1,5 milhões para os países vizinhos”, declarou Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU. 

 

“Além disso, nos últimos dias, pelo menos 150 mil crianças vulneráveis foram forçadas a fugir das suas casas, em busca de segurança, à medida que os combates entre o exército sudanês e as forças paramilitares de Apoio Rápido (RSF) entraram em áreas que anteriormente eram consideradas relativamente seguras. Esta nova onda de violência pode deixar crianças e famílias encurraladas entre as linhas de combate ou apanhadas no fogo cruzado, com consequências fatais," alertou Catherine Russell, diretora Executiva da UNICEF.

 

 

População privada de ajuda urgente

 

A guerra que começou em abril se alastrou até o Estado sudanês de Al-Jazira, a sul de Cartum, onde se estima que viviam quase seis milhões de pessoas, metade das quais crianças. O número da população aumentou nos últimos meses em cerca de 500 mil pessoas provenientes de outros Estados que foram procurar um refúgio em segurança. 

 

Também quase 900 mil dessas pessoas estavam na capital do Estado, em Wad Madani, o principal ponto de muitos serviços essenciais para a população sudanesa. "Os nossos colegas no Sudão ouviram histórias de arrepiar os ossos sobre as viagens angustiantes que mulheres e crianças foram obrigadas a fazer só para chegar à segurança da cidade de Madani", disse Russell, em um comunicado. 

 

No início de dezembro, a cidade de Wad Madani acolhia centenas de deslocados vulneráveis e servia de centro de operações humanitárias. No entanto, a escalada dos combates levou à suspensão de todas as missões humanitárias no terreno que operavam a partir do Estado sudanês de Al-Jazira. "Agora, até essa frágil sensação de segurança está sendo destruída, uma vez que essas mesmas crianças foram novamente forçadas a abandonar as suas casas. Nenhuma criança deveria ter que experimentar os horrores da guerra", acrescentou a diretora do UNICEF. 

 

À semelhança do que acontece em outras guerras, às mulheres e crianças são as mais afetadas. Desde o início do conflito já morreram 12 mil pessoas, segundo uma estimativa do projeto Armed Conflict Locations and Event Data.

 

Já os hospitais e centros médicos da cidade de Wad Madani,  entraram em colapso, denunciou hoje o Sindicato dos Médicos do Sudão. "Todos os centros de saúde da cidade estão fora de serviço e o sistema de saúde colapsou", afirmou o sindicato num comunicado divulgado pelo portal de notícias sudanês Al Jurae.

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