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TENSÕES INTERNACIONAIS

China promete sanções militares em resposta de visita dos EUA a Taiwan

Publicado em: 02/08/2022 16:10

 (crédito: Handout / Taiwan's Ministry of Foreign Affairs (MOFA) / AFP)
crédito: Handout / Taiwan's Ministry of Foreign Affairs (MOFA) / AFP
A chegada da presidente da Câmara de Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, a Taiwan, nesta terça-feira (2), despertou uma intensa reação da China, que mantém uma relação conflituosa histórica desde a separação dos territórios em 1949. Em um comunicado feito pelo porta-voz do ministério da Defesa chinês Wu Qian, a China prometeu “ações militares direcionadas para defender a soberania nacional”.

“O Exército de Libertação Popular está em alerta máximo e lançará uma série de ações militares direcionadas para combater isso, defender a soberania nacional e a integridade territorial e impedir a interferência externa e as tentativas separatistas de 'independência de Taiwan’”, comunicou o porta-voz.

Horas antes da chegada de uma das maiores representantes dos EUA a Taiwan, o governo chinês afirmou que “os Estados Unidos vão assumir a responsabilidade e pagarão o preço por minar a soberania e a segurança da China”. O governo de Pequim também disse que os EUA têm tomado ações “extremamente perigosas” e advertiu que “quem brinca com fogo morre queimado”.

Mesmo com o “alerta”, Pelosi pousou no aeroporto de Taipei, capital de Taiwan, e foi recebida pelo ministro das Relações Exteriores do país, Joseph Wu. Pouco depois, o governo taiwanês informou que 21 incursões aéreas chinesas foram registradas no espaço aéreo do país.

Forças de defesa dos EUA também estavam monitorando Pelosi. Fontes militares de Taiwan disseram à AFP que “diversos barcos de guerra dos EUA navegavam pelas águas da região de Taiwan” no momento da chegada de Pelosi. "Vamos garantir que ela tenha uma visita segura", afirmou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby.

A visita é vista como uma atitude que desafiou a China, já que, de acordo com a AFP, o próprio presidente chinês, Xi Jinping, chegou a dizer expressamente ao mandatário estadunidense, Joe Biden, sobre as consequências da visita de Pelosi, em um telefonema na última quinta-feira (28).

O gabinete de Nancy Pelosi informou que a visita expresa o “apoio incondicional” dos EUA a Taiwan, mas não rejeita a política de Washington em relação à China.

70 anos de conflitos entre China e Taiwan
 
As duas nações estão separadas desde 1949, quando as tropas comunistas de Mao Tsé-Tung derrotaram os nacionalistas e proclamaram a República Popular da China. Os nacionalistas, liderados por Chiang Kai-shek, se refugiaram em Taiwan, onde formaram um governo paralelo chinês. A partir desse momento, o Exército Popular de Libertação da China passou a investir em conquistar o território dos nacionalistas.

Em 1950, os EUA entram em cena e se tornam aliados de Taiwan — na ocasião, as tropas estadunidenses estavam em guerra contra a China na Coreia. No entanto, 29 anos depois, Washington reconheceu o governo chinês, em um momento global em que a política internacional adotou o lema “uma só China”.

Mesmo com o apoio legal, os EUA continuaram a fornecer equipamentos militares para Taiwan. Entre 1987 e 1994, os países passaram por uma trégua, com a autorização de Taiwan para cidadãos do país viajarem à China para reuniões familiares, em 1987; e a abolição do estado de guerra que persistia na ilha, em 1995.

As tensões voltaram em 1995, quando a China cancelou negociações de relações entre os dois territórios após o presidente taiwanês Lee Teng-hui viajar aos EUA. Dez anos depois, a China adotou uma lei antissecessão que definia “meios não pacíficos” para responder uma possível declaração de independência de Taiwan.

Em um breve período de cooperação econômica, entre 2010 e 2015, o clima tenso retornou após a eleição de Tsai Ing-wen, do partido pró-independência, em 2016. Tsai fortaleceu as relações com os EUA e, após ser reeleita em 2020, afirmou que Taiwan é um país. Em outubro do mesmo ano, Xi Jinping pediu que o exército chinês se preparasse “para a guerra”.

De janeiro a outubro de 2021, mais de 600 aviões chineses penetraram a Zona de Identificação de Defesa Aérea de Taiwan.
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