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VOTAÇÃO

Nova Constituição da Tunísia prestes a ser aprovada em referendo com alta abstenção

Por: AFP

Publicado em: 26/07/2022 09:00

 (Foto: FETHI BELAID / AFP)
Foto: FETHI BELAID / AFP
A nova Constituição promovida pelo presidente tunisiano Kais Saied, que reforça os poderes do chefe de Estado, está prestes a ser aprovada nesta terça-feira (26) após um referendo marcado por uma elevada taxa de abstenção. 

"Entre 92 e 93%" dos eleitores aprovaram a Constituição de Saied, com base em pesquisas de boca de urna, disse à AFP o diretor do instituto de pesquisas Sigma Conseil, Hassen Zargouni, nesta terça-feira. 

Depois que a estimativa foi divulgada na televisão nacional, os partidários de Saied saíram para comemorar a vitória em carreatas pelo centro de Tunes, agitando bandeiras e buzinando. 

De acordo com a autoridade eleitoral, apenas 27,54% dos 9,3 milhões de eleitores registrados votaram. Os principais boicotaram o referendo. Nas últimas eleições legislativas de 2019, a taxa de participação foi de 32%. 

Os resultados finais da votação realizada na segunda-feira serão anunciados, a princípio, nesta terça. 

Por volta da 22h00 de segunda-feira (horário de Brasília), o presidente apareceu diante da multidão, onde declarou que a Tunísia "entrou em uma nova fase", segundo a televisão local. A taxa de participação "teria sido maior se a votação tivesse sido organizada em dois dias", acrescentou.

Grande parte do apoio veio da "classe média mais impactada" por anos de crise econômica, analisou o chefe do Sigma Conseil. 

A Tunísia, berço da Primavera Árabe, vive uma crise econômica agravada pela Covid-19 e pela guerra na Ucrânia, da qual depende para suas importações de trigo. 

O país está altamente polarizado desde que Saied, eleito em 2019, concentrou todos os poderes em suas mãos em 25 de julho de 2021. 

Segundo Zargouni, dois grandes blocos votaram "sim" ao referendo: "a parte modernista do país", às vezes nostálgica do ex-ditador Ben Ali, e o "fã-clube" dos partidários de Saied, especialmente os jovens. 

O presidente de 64 anos exerce o poder de forma cada vez mais solitária. Ele considera que a reforma constitucional é uma extensão da "correção do rumo" que começou em 25 de julho de 2021 quando, alegando bloqueios políticos e econômicos, demitiu seu primeiro-ministro e suspendeu temporariamente as funções do Parlamento antes de dissolvê-lo em março. 

O novo texto "dá ao presidente quase todos os poderes e desmantela qualquer controle sobre sua gestão e qualquer instituição que possa controlá-lo", disse Said Benarbia, diretor regional da Comissão Internacional de Juristas. "Nenhuma das garantias que poderiam proteger os tunisianos de violações de Ben Ali está presente", disse ele.
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