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Escândalo de espionagem põe chefe do serviço secreto espanhol na berlinda

Por: AFP

Publicado em: 05/05/2022 17:30 | Atualizado em: 05/05/2022 15:58

 (O escândalo de espionagem põe em risco a estabilidade do governo de Pedro Sánchez. Foto: PETRAS MALUKAS / POOL / AFP
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O escândalo de espionagem põe em risco a estabilidade do governo de Pedro Sánchez. Foto: PETRAS MALUKAS / POOL / AFP
A chefe dos serviços secretos espanhóis, que admitiu, nesta quinta-feira (5), que independentistas catalães foram espionados por Madri, pode se tornar o principal alvo de um escândalo de espionagem que pôs em risco a estabilidade do governo de Pedro Sánchez.

Primeira mulher nomeada para chefiar o Centro Nacional de Inteligência (CNI) e até agora desconhecida da opinião pública, Paz Esteban foi interpelada na manhã desta quinta durante quatro horas na comissão parlamentar de "segredos oficiais". A sessão aconteceu a portas fechadas. 

Segundo deputados que participaram na audiência, como a número dois do Partido Popular (PP, direita), Cuca Gamarra, Esteban reconheceu que os serviços secretos espiaram vários independentistas,  ainda que sempre com autorização da justiça. 

A chefe do CNI precisou, segundo vários meios de comunicação espanhóis, que foram 18 os independentistas vigiados, entre eles o atual presidente catalão, Pere Aragonés, um número muito inferior aos mais de 60 separatistas identificados em um comunicado da organização canadense Citizen Lab. 

Esse relatório de 18 de abril, segundo o qual os telefones de mais de 60 pessoas da órbita separatista foram infectados entre 2017 e 2020 com o software de espionagem israelense Pegasus, gerou uma crise entre o executivo e seus aliados independentistas catalães, que acusam os serviços secretos de estar por trás do monitoramento.

O assunto sofreu uma reviravolta na segunda-feira (3), quando o governo anunciou que Pedro Sánchez e sua ministra da Defesa, Margarita Robles, também foram espionados pelo mesmo programa em maio e em junho de 2021. 

Em resposta, Aragonés, que já tinha pedido a demissão de Robles, insistiu nesta quinta-feira que "a assunção de responsabilidades não pode ser adiada", e pediu que a autorização judicial seja "desclassificada imediatamente para conhecer as suas motivações".

Alvo de ataques dos aliados catalães e bascos de Sánchez, a chefe do CNI, que ocupa o cargo desde 2020, não conta com um apoio claro do governo. 

Ao ser questionada sobre uma possível destituição de Paz Esteban, a porta-voz do governo, Isabel Rodríguez, limitou-se a dizer, na terça-feira (4), que não podia "falar de casos futuros". 

- Ministra da Defesa enfraquecida -
A ministra da Defesa, de cujo gabinete o CNI faz parte, foi o único membro do Executivo a defender Paz Esteban sem restrições.

Porém, Robles também está na mira dos separatistas catalães, assim como da esquerda radical do Podemos, sócio minoritário dos socialistas de Pedro Sánchez no governo. Esta legenda pede a cabeça da ministra. 

"Você sabe o que tem que fazer, não somente por sua dignidade, mas também pela dignidade do governo", declarou o porta-voz parlamentar do Podemos, Pablo Echenique, no Congresso, na quarta-feira (4), dirigindo-se à Robles.

Em uma tentativa de apagar o incêndio, Sánchez prometeu na semana passada "prestar contas" sobre o caso. 

O Pegasus, que permite acessar os dados ou ativar remotamente as câmeras e o microfone de um telefone, e a companhia israelense que o criou, NSO, foram criticados depois que um grupo de meios de comunicação revelou no ano passado que este software foi usado para espionar centenas de políticos, jornalistas, ativistas de direitos humanos e empresários. 

Pedro Sánchez foi o primeiro chefe de Estado, ou de governo, a confirmar ter sido espionado pelo Pegasus.
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