Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Mundo

MULHERES

Violência sexual, ameaça onipresente para refugiadas ucranianas

Por: AFP

Publicado em: 27/04/2022 09:08

 (Foto: CHRISTOPHE ARCHAMBAULT / AFP)
Foto: CHRISTOPHE ARCHAMBAULT / AFP
Durante os combates ou no exílio, da parte dos combatentes, da família de acolhida ou dos trabalhadores humanitários, a violência sexual é uma ameaça onipresente para as ucranianas, alerta Colleen Roberts, da Alto Comissarido das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) na Moldávia.

Segundo a ONU, mais de cinco milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro. E 90% são mulheres e crianças, já que as autoridades de Kiev não permitem a saída de homens de 18 a 60 anos que podem ajudar no confronto. 

Pergunta: Quais riscos as refugiadas ucranianas enfrentam? 

Resposta? Existe um certo número de preocupações, especialmente a violência sexual e o tráfico. Os conflitos e os deslocamentos (da população) podem aumentar os riscos já existentes para as mulheres e criar novos. 

Não se trata apenas das violências sexuais ocorridas na Ucrânia, mas também daquelas que acontecem no caminho dos refugiados. As violências sexuais podem aparecer não importa onde. Quanto mais tempo estão desalojadas as refugiadas, mais riscos de violências sexuais pairam sobre aquelas que vivem em uma comunidade de acolhida, sobretudo quando os recursos começam a se esgotar. 

A tomada de consciência e a ajuda melhora. Porém, o risco sempre está ali. Temos que considerar que esta situação durará e criará novas formas de riscos para as filhas das mulheres. Sobretudo quando olhamos o tráfico: nos concentramos muito na fronteira, mas o tráfico de seres humanos pode ocorrer em qualquer lugar. 

Há também o risco digital e é complexo, precisamos de uma capacidade técnica específica para poder fazer frente realmente. Você pode acessar o Facebook ou Tinder, ou outras redes sociais, e encontrar homens que publicam anúncios com a proposta para que as mulheres ucranianas fiquem com eles. 

Pergunta: Geralmente, quem são os autores dessas violências?

Resposta: Pode ser qualquer um. O importante é que cada vez que têm situações de conflito e de militarização, que são profundamente diferenciadas por gênero, as mulheres e as crianças estão em perigo. 

A execução (desses atos) remete a diferenças de poder e a capacidade de usar este poder de maneira prejudicial. 

Inclusive as pessoas que oferecem ajuda podem ser os autores, um trabalhador humanitário, qualquer um... É isso que devemos entender: a partir do momento em que há refugiados vulneráveis, em particular mulheres e crianças, isso é suscetível de aumentar o risco de exploração, de exploração sexual ou abusos sexuais, por parte de todo tipo de atores, inclusive aqueles que parecem querer ajudar. 

Pergunta: Quem são as pessoas com mais risco? 

Resposta: As violências sexuais afetam os refugiados mais vulneráveis, como as mulheres, em particular as mulheres que viajam sozinhas, as mulheres jovens, as adolescentes, assim como as pessoas de grupos específicos como os ciganos ou as mulheres que têm problemas de saúde mental subjacentes.

Muito poucos casos foram identificados (na Moldávia). Porém, as mulheres e as crianças expressaram suas inquietações. Perguntamos a elas quais eram suas principais preocupações, quais eram os riscos para sua segurança e elas mencionaram as violências sexuais e o tráfico. 

As pessoas (abusadas) nem sempre buscam ajuda. Temos que entender quais são os obstáculos. Quanto mais podemos melhorar o acesso à ajuda, mais mediremos a magnitude desse problema porque penso que claramente existe.
 
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
WIDGET PACK - Sistema de comentários
Manhã na Clube: entrevista com Maria Zilá Passo, advogada especialista em direito da saúde
Fechamento de escolas durante pandemia pode gerar prejuízos por décadas no Brasil
Cada vez mais brasileiros procuram a medicina tradicional chinesa
Manhã na Clube: entrevistas com Bruno Rodrigues e Débora Almeida
Grupo Diario de Pernambuco