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VACINA

Com aval da OMS, CoronaVac poderá entrar no programa Covax

Publicado em: 02/06/2021 07:12

 (Foto: Lillian Suwanrmpha/AFP)
Foto: Lillian Suwanrmpha/AFP
A vacina CoronaVac recebeu ontem a aprovação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ser usada de forma emergencial. O imunizante, que é o mais usado na campanha de vacinação contra a Covid-19 no Brasil, já é aplicado em 22 países e, agora, poderá ser usado no programa Covax de distribuição de vacinas, comandado pela agência das Nações Unidas. A autorização também pode abrir caminho para que os brasileiros consigam viajar a nações que exijam vacinação por fármacos que receberam um “selo” internacional.

O medicamento produzido pelo laboratório Sinovac recebeu o aval após ser avaliado por um comitê de especialistas em vacinas da OMS. O procedimento é uma alternativa adotada pela agência para ajudar países que não têm meios para determinarem por si só a eficácia e a segurança de um medicamento. Com a ajuda da agência, pode-se acessar mais rapidamente os imunizantes. “O mundo precisa desesperadamente de várias vacinas contra a Covid-19 para enfrentar as enormes desigualdades em todo o planeta”, declarou Mariangela Simão, vice-diretora-geral da OMS, em entrevista coletiva.

Segundo os especialistas da instituição internacional, a CoronaVac preenche requisitos essenciais para ser usada em nações menos desenvolvidas, que estão atrasadas na vacinação contra a Covid-19. “Esse produto, do tipo vacina inativa, é fácil de armazenar, o que facilita sua administração e faz com que ele possa ser utilizado sem dificuldades por regiões com poucos recursos”, enfatizam em comunicado.

O imunizante chinês precisa ser aplicado em regime de duas doses, com intervalo de duas a quatro semanas, e pode ser administrado em pessoas com 18 anos ou mais. Além da China e do Brasil, ele está sendo usado em Tunísia, Chile, Indonésia, México, Tailândia e Turquia, entre outros países. A eficácia da CoronaVac para prevenir os casos de Covid-19 sintomáticos é de 51%, e de 100% para evitar casos graves e hospitalizações. Novos estudos, porém, indicam desempenho ainda maiores. Na última sexta-feira, resultados preliminares de um estudo conduzido no Uruguai indicam que a fórmula protetiva reduz em 97% a mortalidade pela doença.

Butantan
Lorena de Castro Diniz, coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), avalia que a autorização anunciada ontem pela OMS é uma excelente notícia e corrobora as decisões tomadas pelas autoridades brasileiras em relação ao imunizante. “É algo que nos dá muito ânimo, pois reforça o que a Anvisa já tinha visto e aprovado, permitindo que essa vacina seja aplicada na nossa população desde o início do ano. Além disso, temos o reconhecimento internacional ao Instituto Butantan, que foi o órgão que fez a parceria com os pesquisadores chineses nos testes do fármaco e que se saiu muito bem”, analisa.

Para a especialista, outro ganho proporcionado pela autorização concedida pela OMS à CoronaVac é a possibilidade de facilita a entrada de brasileiros vacinados em outros países. “Esse é um problema que poderia ocorrer, essa barreira entre as fronteiras. Caso a CoronaVac não fosse bem avaliada, teríamos, provavelmente, esse impeditivo em muitos territórios. Claro que ainda teremos que esperar um tempo para que os países adotem essa vacina em suas listas de permissão para entrada, mas será algo mais fácil, já que a OMS é um órgão de enorme relevância no mundo”, explica.

Lorena Diniz também ressalta que a CoronaVac será uma arma importante a ser usada pela OMS em sua missão de vacinar países mais pobres. “É um imunizante que se mostrou bastante seguro e que pode ser armazenado em refrigeradores normais”, justifica. “Além disso, o seu processo de produção usa uma tecnologia muito simples, a mesma utilizada para a vacina da gripe, algo fácil de ser replicado mesmo em locais com menos recursos. Todos esses pontos contam. É algo bom também para o Brasil, pois poderemos exportá-la para outras regiões, mas, claro, isso só pode acontecer após toda a nossa população ser imunizada.”

Acessibilidade

O Covax foi lançado pela OMS, em parceria com a Aliança Mundial para as Vacinas e a Imunização (Gavi) e a Coalizão para as Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi), para distribuir vacinas contra a Covid-19 a países de baixa renda, com um preço mais acessível. A primeira entrega do grupo foi feita para Gana, na África, em fevereiro. A maioria dos países beneficiados está no continente africano e na América do Sul, incluindo o Brasil, que recebeu dois carregamentos de imunizantes comprados por meio do programa.

» Líderes pedem por igualdade
Em um texto publicado, ontem, no jornal Washington Post, diretores da OMS, da Organização Mundial do Comércio, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial afirmam que as desigualdades na vacinação contra a Covid-19 favorecem o surgimento de variantes do coronavírus. “Está muito claro que não pode haver resistência global à pandemia da Covid-19 sem acabar com a crise de saúde. O acesso às vacinas é fundamental para ambos”, afirma o texto. Os líderes das instituições internacionais pedem que o G7, em sua próxima reunião de cúpula, prevista para acontecer no Reino Unido, neste mês, estabeleça uma “estratégia mais coordenada, respaldada por novos recursos, para vacinar o planeta” e aceite contribuir com US$ 50 bilhões para um plano contra a pandemia proposto pelo FMI.
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