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Negociações sobre o clima são retomadas sob novo impulso dos EUA

Por: AFP

Publicado em: 31/05/2021 13:53

A cúpula do G7, prevista para acontecer de 11 a 13 de junho no Reino Unido, também pretende fazer da mudança climática um tema central
 (Reprodução/Pixabay)
A cúpula do G7, prevista para acontecer de 11 a 13 de junho no Reino Unido, também pretende fazer da mudança climática um tema central (Reprodução/Pixabay)
Depois da paralisação forçada pela pandemia, as negociações sobre o clima da ONU foram retomadas nesta segunda-feira (31) com um novo impulso defendido pelos Estados Unidos e a seis meses da COP26, encontro determinante para atuar contra o aquecimento global.

Até 17 de junho, quase 200 países manterão reuniões virtuais de três horas diárias. Normalmente, as negociações preparatórias para as Conferências da ONU sobre o Clima (COP) acontecem em junho em Bonn (Alemanha).

"Nos reunimos em um momento de crise global, de uma dimensão sem precedentes", disse no início da reunião Patricia Espinosa, secretária executiva da Convenção da ONU sobre a Mudança Climática.

A presidência de Joe Biden relançou o processo político internacional contra a mudança climática, depois que Donald Trump retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, prejudicando os esforços empreendidos nos últimos anos. Desta maneira, a COP25 de Madri em 2019 terminou em fracasso.

Biden organizou em abril uma cúpula virtual, que animou os grandes países emissores a reforçarem seus compromissos climáticos, começando pelos Estados Unidos, que dobraram sua meta de redução de emissões de gases de efeito estufa para 2030.

Japão, Canadá, União Europeia e Reino Unido também deram um passo adiante. Inclusive o presidente brasileiro Jair Bolsonaro prometeu a neutralidade do carbono para 2050 e a eliminação da extração ilegal de madeira para 2030, apesar da devastação da Amazônia ter aumentado drasticamente durante seu mandato.

A cúpula do G7, prevista para acontecer de 11 a 13 de junho no Reino Unido, também pretende fazer da mudança climática um tema central, depois que seus Estados-membros se comprometeram recentemente a acabar com as ajudas públicas às centrais de carvão, muito poluentes.

Esta mobilização renovada é essencial para responder à emergência climática, segundo os cientistas.

Enquanto as catástrofes se multiplicam, o mundo acaba de viver sua década mais quente já registrada, e as possibilidades de alcançar a meta de reduzir o aquecimento para 2 ºC e, se possível 1,5 ºC em comparação com a era pré-industrial, se reduzem cada vez mais.

Por isso, a COP26 de Glasgow (Reino Unido), que acontecerá em novembro, um ano depois do previsto devido à pandemia, é considerada crucial.

Questões para resolver 

"A nossa trajetória atual não está alinhada com as metas do Acordo de Paris", lembrou Espinosa. "É hora de fazermos o nosso trabalho".

Mas sobre a mesa de negociações restam muitas questões-chave para resolver, desde o funcionamento dos mecanismos dos mercados de carbono até as normas de transparência.

A comunidade internacional também deve finalizar os planos de adaptação às consequências da mudança climática e concretizar o compromisso dos países desenvolvidos de financiar com cerca de 100 bilhões de dólares anuais as políticas climáticas dos países pobres.

Embora alguns países já tenham revisado seus compromissos de redução de emissões, as chamadas NDC (Contribuições Determinadas a Nível Nacional), conforme previsto no Acordo de Paris para 2020, alguns ainda não o fizeram.

Tudo isso será abordado até 17 de junho pelos "órgãos subsidiários permanentes" da Convenção da ONU sobre Mudança Climática por meio de videoconferências.

Não é um formato "ideal, mas é inevitável", segundo a norueguesa Marianne Karlsen, presidente do grupo SBI, um dos órgãos subsidiários.

Devido à ausência de negociações durante 18 meses, "acumulamos muito trabalho", portanto é necessário avançar "se quisermos alcançar um acordo em Glasgow", segundo Karlsen.

As reuniões não vão gerar decisões, mas os negociadores estão confiantes de que estabelecerão as bases para "tomá-las quando nos reunirmos pessoalmente" na COP26, segundo Tosi Mpanu Mpanu, presidente do grupo subsidiário SBSTA.

"É importante enviar uma mensagem clara ao resto do mundo: estamos determinados a aplicar o Acordo de Paris e resolver este quebra-cabeças climático", acrescenta este diplomata congolês.
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