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DIPLOMACIA

Discurso de Xi Jinping promove a governança global de saúde pública

Publicado em: 27/05/2021 18:20 | Atualizado em: 28/05/2021 11:28

 (Foto: Aris MESSINIS / AFP
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Foto: Aris MESSINIS / AFP
Por Renato Raposo, jornalista e diretor de relações institucionais da Associação da Imprensa de Pernambuco  

O discurso do presidente chinês, Xi Jinping, na Cúpula Global de Saúde, é mais um passo para a consolidação do novo estilo de liderança internacional que cabe à China, no seu papel de superpotência populacional, econômica e científica.
 
Realizado em Roma na última sexta-feira (21/5), o encontro foi organizado em parceria entre a Itália (que ocupa em 2021 a presidência rotativa do G20) e a Comissão Europeia.
 
Os líderes do G20 discutiram o atual estágio da pandemia de covid-19 e os novos compromissos necessários para garantir a equidade na vacinação das populações dos países mais pobres.
 
Por sua vez, o líder chinês resumiu em cinco pontos o que, na sua visão, precisa ser feito para enfrentarmos a crise sanitária e socioeconômica:
 
1) Colocar as pessoas e suas vidas em primeiro lugar.
2) Seguir políticas baseadas na ciência e garantir uma resposta coordenada e sistêmica.
3) Manter a união e promover a solidariedade e a cooperação.
4) Manter a justiça e a equidade até ser fechada a lacuna da imunização.
5) Fortalecer o sistema de governança global de saúde para prevenir e responder a futuras pandemias.
 
Uma vez ditas, essas podem parecer ideias triviais — mas não são. O discurso de Xi Jinping é um farol que ilumina as trevas do obscurantismo e revela aquilo que deveria ser o óbvio — mas não é. Pelo contrário.
 
O leitor mais atento deve ter percebido que os pontos elencados por Xi Jinping estão em oposição diamétrica àqueles que guiam a atuação do governo brasileiro. Em vez de “pessoas e suas vidas em primeiro lugar”, os apelos pela "volta à normalidade" da economia.
 
No lugar de “políticas baseadas na ciência” e “resposta coordenada e sistêmica”, o negacionismo e o enfrentamento político a governadores e prefeitos. Diversamente da “união e solidariedade”, o “e daí?” e o “eu não sou coveiro”.
 
Ao contrário da “justiça e equidade”, a sanção à compra de vacinas pela iniciativa privada. Em oposição ao fortalecimento da governança global, o delírio de uma OMS comunista.
 
Merece também registro o fato de a palavra solidariedade ter sido mencionada quatro vezes no discurso do líder chinês. Mão amiga, muito, muito mais do que braço forte, parece ser a toada necessária às lideranças do século XXI.
 
Foi também com uma referência à solidariedade que o presidente chinês encerrou seu discurso, numa citação do filósofo romano Sêneca: "somos todos ondas do mesmo mar".
 
Que as ondas da solidariedade chinesa se propaguem com cada vez mais força pelo mar de Sêneca e clareiem o mar de lama destes nossos tristes trópicos, onde mais de 450 mil brasileiros perderam a vida para a covid-19.
 



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