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Caso George Floyd: preconceito racial afeta ideal americano, avalia Biden

Publicado em: 26/05/2021 08:52

 (Foto: Jim Watso/AFP)
Foto: Jim Watso/AFP
Os gritos tornaram a ecoar em Minneapolis, no estado de Minnesota, e em ruas de diversas cidades dos Estados Unidos. “I can´t breathe! (‘Eu não posso respirar!’)”, bradava a multidão, de punhos cerrados. Um ano após George Floyd, um homem negro de 46 anos, repetir essa frase até perder a consciência, com o pescoço pressionado pelo joelho do policial branco Derek Chauvin, nada mudou em um país marcado pelo racismo sistêmico que perdura desde os tempos da escravidão. Mas, Floyd tornou-se uma espécie de símbolo de resistência contra a violência policial e o preconceito racial.

O presidente norte-americano, Joe Biden, recebeu, no Salão Oval da Casa Branca, familiares de George. “Eles têm que reviver toda aquela dor e aquele luto a cada vez que aqueles horríveis 9 minutos e 29 segundos são repetidos. A família Floyd mostrou extraordinária coragem, especialmente sua jovem filha, Gianna, com quem me encontrei novamente hoje (ontem). Na véspera do funeral do pai, há um ano, Jill e eu nos reunimos com a família e ela me disse: ‘Papai mudou o mundo’”. Ele o fez, afirmou Biden, por meio de um comunicado. A reunião contou com a presença de Kamala Harris, a primeira vice-presidente negra da história dos EUA.

O líder democrata lembrou que o assassinato de Floyd desatou uma onda de protestos jamais vista desde a era dos direitos civis, na década de 1960. “A condenação do policial que matou George foi outro importante passo rumo à justiça. Mas nosso progresos não pode parar por aqui”, defendeu Biden. De acordo com o presidente, a mudança real depende da responsabilização de oficiais que violarem seu juramento, e da construção de uma confiança duradoura entre a vasta maioria dos homens e mulheres que usam o distintivo de forma honrosa e as comunidades às quais juraram servir e proteger. “Nós enfrentamos um ponto de inflexão. A batalha pela alma da América tem sido um constante empurra e puxa entre o ideal americano de que todos nós somos criados iguais e a dura realidade de que o racismo há muito nos separou”, acrescentou Biden.Em 1º de junho, o presidente viajará até Oklahoma, a fim de lembrar o centenário do massacre racial de Tulsa, no qual 300 homens, mulheres e crianças negras foram assassinadas.

Ao fim da reunião de mais de uma hora, a portas fechadas, Philonise Floyd — o irmão caçula de George — cobrou uma legislação que garanta proteção aos negros. “Se você pode fazer leis federais para proteger os pássaros, a água careca, você pode fazer leis federais para proteger as pessoas de cor”, declarou. Terrence, outro dos irmãos Floyd, destacou a “conversa produtiva” e disse que Biden e Harris pareciam ansiosos para ouvir as “preocupações” da família. Considerado culpado pela Justiça, o policial Derek Chauvin aguarda a leitura da sentença, prevista para 25 de junho.

Mudanças
Fundador do Instituto Martin Luther King Jr., guardião dos documentos do líder ativista e professor da Universidade de Stanford, Clayborne Carson afirmou que a legislação batizada com o nome de George Floyd e criada para coibia a violência policial segue estagnada no Congresso. “Mudanças sistêmicas no comportamento da sociedade ainda devem ser determinadas. Um ano depois da morte de George Floyd, atitudes mudaram, mas políticas e leis, não. Ainda que um número de pessoas tenha as mesmas atitudes de décadas atrás, você consegue ver transformações entre as gerações mais jovens. Elas cresceram em uma nação que honra o aniversário de Martin Luther King e viram um presidente negro e, agora, uma vice-presidente negra”, explicou ao Correio, por telefone.

Os familiares de Floyd lutam para que democratas e republicanos cheguem a um consenso e aprovem o projeto de lei apresentado pela congressista Karen Bass. “Este projeto de lei chegará à mesa do presidente Biden” para promulgação, disse Bass na reunião com os Floyd. “Trabalharemos até que a tarefa seja concluída, será feito em consenso” com os republicanos, acrescentou.

Em Minneapolis, pessoas se reuniram diante do memorial montado no local do crime, ocorrido em 25 de maio de 2020. As homenagens à memória de Floyd foram interrompidas pelo clima de tensão: pouco antes das 10h (hora local), tiros feriram um homem, destruíram vitrines e semearam o pânico.

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