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Fabricantes da Sputnik V vão processar Anvisa por 'difamação' da vacina

Publicado em: 29/04/2021 13:10 | Atualizado em: 29/04/2021 13:58

 (Foto: Esteban Collazo/Assessoria de Imprensa da Presidência da Argentina/AFP)
Foto: Esteban Collazo/Assessoria de Imprensa da Presidência da Argentina/AFP
Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter negado o pedido de 10 estados brasileiros para importar a vacina russa Sputnik V, os desenvolvedores do imunizante anunciaram, nesta quinta-feira (29), que irão processar o órgão regulador brasileiro por difamação. Em uma série de postagens feitas no Twitter da conta oficial da vacina contra Covid-19, os produtores acusam a agência brasileira de ter espalhado “informações falsas e imprecisas intencionalmente”.

“Após a admissão do regulador brasileiro Anvisa de que não testou a vacina Sputnik V, a Sputnik V está iniciando um processo judicial de difamação no Brasil contra a Anvisa por espalhar informações falsas e imprecisas intencionalmente”, diz um trecho postado. 

Segundo outra parte das publicações, a Anvisa “fez declarações incorretas e enganosas” sobre a vacina russa, sem que a agência a tenha testado. O Correio entrou em contato com a Anvisa para questionar qual a posição oficial da agência diante das acusações, mas ainda não obteve resposta.

Na última segunda-feira (26), após as três áreas técnicas da agência emitirem recomendações contrárias à autorização, os diretores da Anvisa recusaram o pedido de importação da vacina. Na ocasião, o gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos do órgão, Gustavo Mendes explicou que faltaram informações mínimas para se garantir uma análise da segurança, qualidade e eficácia do imunizante, o que pode ser prejudicial à saúde humana.

Mendes frisou uma não conformidade grave relacionada à tecnologia da vacina. "O que nós percebemos é uma falha na estratégia do controle de qualidade. A empresa não demonstrou que controla de forma eficiente os processos para controlar outros vírus contaminantes também", comentou.

Decisão de “natureza política”
Na última terça-feira (27), um dia após a Anvisa rejeitar o pedido de importação da Sputnik V, o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF) e o Instituto Gamaleya, desenvolvedores do imunizante, afirmaram que a decisão da agência brasileira é de natureza política e “nada tem a ver com o acesso do regulador à informação ou com a ciência”.

A nota oficial emitida pelos produtores também afirma que a decisão é uma consequência direta da pressão do Departamento de Saúde dos Estados Unidos. Segundo eles, um relatório anual produzido pelos EUA, elaborado ainda no governo de Donald Trump, afirmou que o país buscou persuadir o Brasil contra o uso da vacina russa.
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