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RÚSSIA

"Chegou a hora da desescalada", diz Biden a Putin

Publicado em: 16/04/2021 07:26

 (Foto: Alexander nemenov/AFP)
Foto: Alexander nemenov/AFP
No jargão popular, foi praticamente a tática do “morde e assopra”. Horas depois de os Estados Unidos anunciarem um pacote de sanções financeiras contra a Rússia (veja o quadro), além da expulsão de 10 diplomatas da embaixada russa em Washington, o presidente Joe Biden enviou um recado ao homólogo russo, Vladimir Putin: o democrata disse ao líder russo que “chegou a hora da desescalada”. Ele qualificou as medidas como “uma reação medida e proporcional” ao que classificou de ações hostis de Moscou. A ordem executiva assinada por Biden visa a “imposição de custos por atividades estrangeiras prejudiciais do governo russo”. O presidente considerou que uma comunicação direta com Putin pode levar a uma “relação mais efetiva”. Washingto aposta em uma cúpula entre os dois chefes de Estado, que deve ocorrer no verão boreal na Europa e seria uma chance para “lançar um diálogo de estabilidade estratégica”.

As sanções atingem “32 entidades e indivíduos que realizam tentativas dirigidas pelo governo russo para influenciar a eleição presidencial dos EUA em 2020 e outros atos de desinformação e de interferência”. Segundo a Casa Branca, as medidas também são uma resposta a “atividades cibernéticas maliciosas contra os Estados Unidos e seus aliado” — referência direta ao ataque contra a companhia americana Starwinds, o qual tornou vulneráveis a hackers os sistemas de computação do governo dos EUA no ano passado. Instituições financeiras dos Estados Unidos ficarão proibidas de comprarem títulos em rublo russo depois de 14 de junho.

Na tarde de ontem, autoridades do Executivo norte-americano admitiram que a gestão Biden busca uma “relação previsível e estável” com a Rússia. “Não buscamos, não desejamos uma espiral descendente. Podemos e devemos evitar isso. Mas, também, deixamos claro que defendemos nossos interesses nacionais e imporemos custos às ações do governo russo que buscarem prejudicar nossa soberania”, afirmaram. Eles acrescentaram que as sanções “enviam um claro sinal” de que os EUA não aceitarão o “comportamento desestabilizador” da Rússia.

Mais cedo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, sublinhou que as novas sanções “não favorecem” a realização da cúpula entre Biden e Putin. Não ficou claro, no entanto, se o russo desistiu do encontro. A chancelaria russa também convocou o embaixador dos Estados Unidos em Moscou, John Sullivar, para esclarecimentos.

Moderação
Lilia Shevtsova, chefe do Programa de Política Doméstica Russa do Carnegie Endowment for International Peace (em Moscou), afirmou ao Correio que o pacote de sanções dos EUA era esperado. “Essas medidas são uma punição pelas alegadas inteferências da Rússia nas eleições norte-americanas de 2020; pelos ataques de hackers às instituições dos Estados Unidos; pelo suposto pagamento de recompensas pelo assassinato de soldados dos EUA no Afeganistão; e pelo envenenamento de (Alexei) Navalny”, explicou. A estudiosa admite que o conjunto de sanções, apesar de parecer “sólido”, é “bastante moderado”. “Biden tenta não fechar as portas para o diálogo com Putin. A sanção mais desagradável me parece aquela que proíbe a compra de notas do tesouro russo”, disse Shevtsova.

Por sua vez, Andrey Kortunov — diretor-geral do Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia (em Moscou) — avalia as medidas anunciadas por Washington como “uma manifestação típica das táticas ‘empurra e puxa’ dos Estados Unidos. Biden ofereceu uma reunião com Putin. Agora, precisa demonstrar à opinião pública que pode ser firme e decisivo em relação à Rússia”, observou.

Um dos mais renomados especialistas em Rússia e em relações internacionais das ex-repúblicas soviéticas, Robert Legvold disse à reportagem que as sanções “não são meramente simbólicas”. “Elas devem surtir efeitos, mas não são o passo mais severo que os Estados Unidos poderiam ter dado. Ao mesmo tempo, a Casa Branca espera que as tensões não aumentem significativamente, pois Biden leva a sério um relacionamento construtivo com a Rússia em áreas onde existe a necessidade de cooperação mútua, como o controle das armas nucleares”, afirmou o professor de ciência política da Universidade de Colúmbia em Nova York.

De acordo com Legvold, o governo norte-americano quer que os russos entendam que Washington leva a sério os dois lados da política com a Rússia. “Por um lado, responsabilizar Moscou pelo comportamento problemático. Por outro lado, genuinamente Biden se mostra desejo de cooperar, sempre que possível.”

» As principais retaliações
Conheça o pacote de sanções contra Moscou anunciado ontem pela Casa Branca:

Sanções de dívidas
» O Tesouro proibiu as instituições financeiras dos EUA de comprarem, diretamente, títulos emitidos pela Rússia depois de 14 de junho. A medida deverá surtir impacto limitado. A Rússia tem apenas dívidas e reservas limitadas de mais de US$ 180 bilhões, graças às exportações de hidrocarbonetos.

Expulsão de diplomatas
» O Departamento de Estado expulsou dez funcionários da embaixada russa em Washington, alguns dos quais são acusados de serem membros dos serviços de inteligência de Moscou.

Medidas contra empresas de biotecnologia
» Seis empresas de biotecnologia russas foram sancionadas, acusadas de apoiar atividades de inteligência cibernética de Moscou, em particular o ataque à empresa SolarWinds, o qual comprometeu milhares de redes informáticas do setor privado e do governo dos Estados Unidos. O Departamento do Tesouro dos EUA também mirou em 32 organizações e indivíduos que supostamente “tentaram influenciar nas eleições presidenciais americanas de 2020”.

Crimeia
» Em parceria com o Canadá, o Reino Unido e a Austrália, o governo dos Estados Unidos impôs sanções a oito indivíduos e organizações vinculadas à “contínua ocupação e repressão russa na Crimeia”.
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