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Busca no apartamento de Giuliani: Trump e Biden trocam acusações de politização da justiça

Por: AFP

Publicado em: 30/04/2021 07:34

Rudy Giuliani, ex-advogado pessoal de Donald Trump (Foto: MANDEL NGAN / AFP)
Rudy Giuliani, ex-advogado pessoal de Donald Trump (Foto: MANDEL NGAN / AFP)
O presidente americano, Joe Biden, e o seu antecessor Donald Trump, trocaram acusações na quinta-feira (29) sobre a politização do Departamento de Justiça, depois que o FBI fez uma operação de busca, em Nova York, no apartamento e escritório de Rudy Giuliani, ex-advogado pessoal do ex-presidente.

Giuliani declarou ao canal Fox News que tudo o que foi confiscado vai provar que ele não violou as leis federais quando ajudou Trump a buscar informações comprometedoras contra Biden sobre a Ucrânia em 2019, durante a campanha eleitoral.

"A evidência prova que o presidente e eu, e todos nós, somos inocentes", disse Giuliani.

Ele também acusou o Departamento de Justiça de ter emitido uma "ordem ilegal" e de "espionagem" contra ele para ter acesso a informações privilegiadas entre advogado e cliente, "violando flagrantemente meus direitos constitucionais".

"São táticas conhecidas apenas em uma ditadura", completou.

A polícia federal realizou um mandado de busca na quarta-feira no apartamento do ex-prefeito de Nova York e em um escritório, e confiscou vários dispositivos eletrônicos.

Os promotores federais investigam há meses as atividades de lobby de Giuliani na Ucrânia, especificamente a possibilidade de que advogou a favor de funcionários e empresários ucranianos no governo de Trump em 2019, em troca de pagamentos.

Giuliani, um ex-procurador geral de 76 anos, se esforçou durante meses para encontrar informações na Ucrânia que comprometessem o filho do presidente Joe Biden, Hunter Biden, para prejudicar a campanha eleitoral de seu pai.

Trump foi submetido a um processo de impeachment em dezembro de 2019 por buscar ajuda política na Ucrânia, mas escapou com sucesso.

Entrevistado pela Fox Business, o ex-presidente dos Estados Unidos afirmou que a operação é "muito, muito injusta" e denunciou "um padrão duplo".

"Rudy Giuliani é um grande patriota. Simplesmente ama o seu país, e invadiram seu apartamento", disse Trump.

Questionado sobre a operação pelo canal NBC, o presidente Biden disse que não estava a par do caso nem da operação.

O governo Trump "politizou tanto o Departamento de Justiça, tantos deles renunciaram, tantos se foram", disse Biden.

"Não é o papel do presidente dizer quem será processado, quando será processado, quem não deve ser processado (...) O Departamento de Justiça é o advogado do povo, não o advogado do presidente", completou.

Giuliani não foi acusado formalmente pela Procuradoria, que também não se pronunciou oficialmente sobre a busca.

Dois homens que trabalharam para Giuliani na Ucrânia, Lev Parnas e Igor Fruman, foram acusados em Nova York no final de 2019 de violar as leis de financiamento de campanhas. O julgamento deles deve começar em outubro.

O filho de Giuliani, Andrew Giuliani, disse na quarta-feira que a operação foi motivada por razões políticas.

O FBI e o Departamento da Justiça não quiseram comentar a busca.
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