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Bolívia e Chile fecham fronteiras para conter avanço da covid-19

Publicado em: 02/04/2021 09:33 | Atualizado em: 02/04/2021 09:36

 (MARTIN BERNETTI/ AFP)
MARTIN BERNETTI/ AFP
A grave crise sanitária provocada pela pandemia da Covid-19 e a ameaça das novas variantes do coronavírus levaram a Bolívia e o Chile a fecharem suas fronteiras. O presidente boliviano, Luis Arce Catacora, anunciou o bloqueio da divisa com o território brasileiro a partir desta sexta-feira (2/4). 'No marco das medidas para proteger a população, instruímos o fechamento temporário das fronteiras com o Brasil por sete dias. Os ministérios da Saúde, do Governo e das Relações Exteriores providenciarão o fechamento temporário de outros pontos, com base na situação epidemiológica', escreveu no Twitter. 'Nos municípios fronteiriços, onde se verificou a circulação de variantes da Covid-19, o seu encapsulamento (quarentena) será coordenado com as entidades territoriais autônomas.' Não estão claras as medidas aplicadas às viagens aéreas. A Bolívia registra 272.411 casos da Covid-19 (2,3% da população) e 12.257 mortes.

Por sua vez, o governo do Chile vetará a circulação nas fronteiras com Argentina, Peru e Bolívia a partir de segunda-feira. Durante 30 dias, ficará proibida a entrada de estrangeiros não residentes no país. A medida restringe a saída de chilenos e de estrangeiros residentes. 'Precisamos com urgência de um esforço adicional, pois estamos em um momento muito crítico', disse o porta-voz do governo, Jaime Bellolio.

O Chile contabilizava, até a tarde de ontem, 1.003.046 infecções pela Covid-19 (5,5%) e 23.328 mortes. As medidas isolam ainda mais o Brasil %u2014 apenas o Paraguai não impôs restrições fronteiriças. O Equador, que fechou fronteiras terrestres e marítimas por um ano, estuda impor toque de recolher para tentar reduzir a velocidade de trasmissão do Sars-CoV-2.

'O Brasil é uma ameaça à propagação das novas cepas do vírus. A Bolívia não está preparada para uma avalanche de pessoas que precisem de cuidados médicos. Por aqui, há uma desconfiança generalizada em relação a essas novas variantes e ao possível colapso que elas poderiam causar em nosso sistema sanitário', afirmou ao Correio o boliviano Marcelo Arequipa, doutor em ciência política e professor da Universidade Católica Boliviana San Pablo (em La Paz). Ele avalia o fechamento da fronteira como uma ação necessária e adverte que a Bolívia não dispõe de logística para conter eventuais focos de novas cepas.

Impacto
Marcelo Mella, cientista político e professor do Departamento de Estudos Políticos da Universidad de Santiago de Chile, admite que a situação sanitária no Brasil impactou fortemente a opinião pública chilena. 'Criou-se um debate político sobre o que o governo de Sebastián Piñera deve decidir nos próximos dias. Nós enfrentamos a segunda onda da pandemia e, hoje, superamos o número de 1 milhão de infectados. Para o tamanho do Chile e o total de habitantes, os 23 mil mortos representam uma cifra bastante alta', disse ao Correio. 'O sucesso do processo de vacinação, que deverá imunizar, até o fim de junho, entre 70% e 80% da população, foi obscurecido pelo otimismo excessivo de Piñera. Ao considerarmos as notícias que chegam do Brasil, a opinião pública adotou um estado de alerta e começou a exercer forte pressão sobre o governo pelo fechamento das fronteiras para que a segunda onda não se prolongue muito.'

Segundo Mella, as autoridades chilenas também adotaram medidas 'muito severas' de restrições à circulação, com a formação de um 'cordão sanitário'. 'A adesão ao confinamento tem sido menor do que o necessário. Também haverá aumento de uma hora no toque de recolher. Apesar de graves, são ações necessárias. O turismo requer um nível de responsabilidade e de autocuidado', lembrou. Até o fechamento desta edição, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro não havia se pronunciado sobre as decisões de Bolívia e Chile.
TAGS: covid-19 | bolívia | chile |
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