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COVID-19

Contágios avançam na Europa, entre protestos contra restrições

Por: AFP

Publicado em: 21/03/2021 12:22 | Atualizado em: 21/03/2021 12:43

 (Anne-Christine POUJOULAT / AFP)
Anne-Christine POUJOULAT / AFP
A terceira onda da Covid-19 segue avançando neste domingo (21) na Europa, com protestos contra as restrições como pano de fundo, e, no mundo, com as praias do Rio de Janeiro fechadas e Miami Beach sob toque de recolher. 

Esta semana, 465.300 novas infecções foram registradas todos os dias no mundo. Com exceção da África e Oriente Médio, todas as regiões registraram altas: + 34% na Ásia,   18% na Europa,   15% nos Estados Unidos/Canadá e   5% na América Latina e Caribe.

"Dado o aumento dos casos da Covid-19 nos Estados-membros", o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, decidiu que os dirigentes da União Europeia (UE) se reunirão na quinta e sexta-feira à distância, e não em Bruxelas, informou um porta-voz.

Diante do aumento das infecções, alguns estados da Alemanha defendem a extensão das restrições impostas para conter o vírus até o mês de abril, segundo documento consultado pela AFP, apesar do cansaço dos cidadãos com essas medidas.

No sábado, milhares de pessoas protestaram em vários países europeus (Alemanha, Holanda, Áustria, Bulgária, Suíça, Sérvia, Polônia, França e Reino Unido), bem como no Canadá, contra a "ditadura" das restrições sanitárias.

Pelo menos 36 pessoas foram presas e vários policiais ficaram feridos em Londres durante um dos protestos. 

Em Cassel, no centro da Alemanha, houve confrontos com as forças da ordem, que fizeram uso de spray de pimenta, cassetetes e canhões d'água.

"A covid é uma farsa", dizia as faixas de manifestantes, de Montreal a Belgrado. 

Essa onda de descontentamento coincidiu com a entrada em vigor de um terceiro confinamento para 21 milhões de franceses, incluindo parisienses, embora menos estrito do que os anteriores, e um confinamento parcial na Polônia.

O governo polonês havia aliviado a pressão em fevereiro, autorizando a reabertura de hotéis, museus, cinemas, teatros e piscinas com capacidade limitada, e agora teve que voltar atrás.

Fim de festa

Do outro lado do Atlântico, na Flórida (Estados Unidos), a ilha de Miami Beach foi obrigada a impor toque de recolher devido à chegada de turistas determinados à festa, apesar da pandemia.

"O volume de pessoas é claramente maior do que nos anos anteriores", disse o prefeito de Miami Beach, Dan Gelber.

"Acho que em parte se deve ao fato de que há poucos lugares abertos no resto do país, ou são muito frios, ou estão fechados e também muito frios", comentou

Na Ásia, as Filipinas também anunciaram novas restrições, como o fechamento de igrejas em Manila, quando as infecções atingiram um número recorde de mais de 7.000 novos casos por dia. 

O Brasil, por sua vez, teve um novo dia de números alarmantes, com 2.438 mortes em 24 horas, para um total de 292.752 desde o início da pandemia, enquanto acumula mais de 11,9 milhões de infecções.

Para conter os contágios, o prefeito do Rio de Janeiro decidiu fechar as praias a partir deste final de semana. Pouco mais de 5% da população recebeu a primeira dose da vacina e menos de 2% a segunda.

No vizinho Paraguai, que já foi um dos países exemplares da região, os leitos de terapia intensiva se esgotaram no sábado.

O Peru, que também tem seus hospitais saturados, ultrapassou a marca de 50.000 mortes por Covid-19. E o Chile registrou 7.000 infecções em um único dia pela primeira vez, situação que levou o governo a confinar 28 municípios.

Para combater a pandemia, a Colômbia recebeu 245 mil doses da vacina AstraZeneca pelo mecanismo Covax, além de 770 mil doses da Sinovac oferecidas pela China, cujo presidente Xi Jinping disse esperar "cooperação reforçada" entre os dois países.

"Vitória da Humanidade"

Os governos também se esforçam para intensificar a vacinação, quando a pandemia já matou pelo menos 2.710.382 pessoas no mundo, segundo balanço apurado pela AFP neste domingo.

Depois de enfrentar temores sobre supostos efeitos adversos nas últimas semanas, a vacina AstraZenenca, que vários países europeus vêm administrando novamente desde sexta-feira, agora enfrenta uma ofensiva da UE por atrasos nas entregas. 

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ameaçou no sábado bloquear as exportações da vacina, caso a UE não receba primeiro as doses acordadas. 

O ministro da Defesa britânico, Ben Wallace, alertou hoje na SkyNews que o bloqueio seria "contraproducente" para "um bloco comercial que se gaba de [cumprir] a lei".

Apesar dos esforços de imunização, os organizadores das Olimpíadas de Tóquio decidiram não receber espectadores do exterior, considerando altamente improvável que eles possam viajar ao Japão para a competição marcada para 23 de julho a 8 de agosto.

No verão passado, os organizadores queriam, no entanto, fazer desses jogos uma celebração da "vitória da Humanidade contra o vírus".
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