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Irã inicia produção de urânio metálico, uma nova violação do acordo de 2015, diz AIEA

Publicado em: 10/02/2021 19:40

 (Foto: Arquivo/AFP)
Foto: Arquivo/AFP
O Irã começou a produzir urânio metálico para usá-lo como combustível para um de seus reatores, outra violação de seus compromissos no acordo de 2015, informou nesta quarta-feira (10) a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A agência da ONU, com sede em Viena, "verificou em 8 de fevereiro 3,6 gramas de urânio metálico na usina de Isfahan" (centro), segundo nota enviada à AFP. O assunto é sensível, uma vez que o urânio metálico pode ser usado na fabricação de armas nucleares.

A República Islâmica sempre negou pretender se dotar de armas atômicas. O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, informou os Estados-membros sobre esta nova etapa, que, segundo Teerã, visa "produzir combustível" como parte de suas atividades de pesquisa e desenvolvimento.

O acordo assinado em 2015 pelo Irã e seis grandes potências (China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha) inclui uma proibição de 15 anos sobre "a produção ou aquisição de metais de plutônio ou urânio e suas ligas".

O pacto prevê que o Irã possa começar a investigar a produção de combustível à base de urânio "em pequenas quantidades" após 10 anos, mas apenas com a autorização dos demais signatários.

Este anúncio enfraquece ainda mais o acordo nuclear com o Irã, que está na corda bamba desde que Donald Trump retirou os Estados Unidos do pacto em 2018 antes de restabelecer as sanções econômicas.

Em resposta, Teerã gradualmente se liberou da maioria de seus compromissos, argumentando que tinha o direito de fazê-lo em face das "violações flagrantes" das regras pelas outras partes.

A infração mais grave até agora se deu em janeiro, quando o país retomou o enriquecimento de urânio a 20%, nível que o país praticava antes de 2015, mas que ainda está longe dos 90% exigidos para a fabricação de uma bomba.

A chegada, em 20 de janeiro, de Joe Biden à Casa Branca deu esperanças de uma retomada do diálogo após a política de "pressão máxima" exercida por seu antecessor.

No entanto, o novo presidente dos Estados Unidos advertiu que não dará o primeiro passo para suspender as sanções, como exigem os líderes iranianos.

Na manhã desta quarta-feira, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, alertou que "a janela de tiro está se estreitando", aumentando a pressão sobre Washington.

"Em breve meu governo será forçado a tomar novas medidas em resposta ao lamentável fracasso dos americanos e europeus" em cumprir sua parte no acordo, disse em uma mensagem postada no YouTube por ocasião do 42º aniversário da Revolução Islâmica.

Em 21 de fevereiro, prazo definido pelo Parlamento, o Irã poderia restringir o acesso dos inspetores da AIEA a seus locais nucleares, uma linha vermelha que colocaria em risco as manobras de bastidores para salvar o acordo nuclear.

"Se querem que o Irã volte aos seus compromissos (...), os Estados Unidos devem suspender totalmente as sanções", e não o cenário inverso, disse o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no domingo.
TAGS: energia | diplomacia | irã |
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