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Biden se concentra na transição sem que Trump reconheça a derrota eleitoral

Por: AFP

Publicado em: 09/11/2020 07:45

 (Foto: ANGELA WEISS / AFP)
Foto: ANGELA WEISS / AFP
Washington, EUA - Depois de comemorar sua vitória sobre Donald Trump, Joe Biden se concentrou nos preparativos para sua chegada à Casa Branca em 73 dias, com o combate à pandemia como prioridade, enquanto o presidente republicano reiterou a recusa em aceitar os resultados.

O democrata recebeu os parabéns de várias lideranças de todo o mundo - com exceções como México e Brasil -, mas Trump continua sem conceder a vitória, alegando "fraude" na eleição, sem apresentar provas.

"Desde quando a mídia constrangedora dominante (utilizando um jogo palavras) decide o próximo presidente?", questionou Trump em um tuíte.

Trump planeja redobrar a ofensiva judicial para desafiar os resultados durante a semana, informou o advogado Rudy Giuliani, que citou "muita evidência" de fraude.

Mas parece que as ações não devem ter impacto e foram ignoradas pelos eleitores democratas, que comemoram desde sábado a vitória de Biden.

O ex-presidente republicano George W. Bush ligou para Biden para felicitá-lo por uma eleição, que classificou de "honesta" e com um resultado "claro".

Biden e a vice-presidente eleita, Kamala Harris, publicaram no site BuildBackBetter.com os detalhes do plano de transição, que destaca quatro temas: a luta contra a Covid-19, a recuperação econômica, a equidade racial e a mudança climática.

"A equipe que está sendo formada vai enfrentar os desafios já no primeiro dia", afirma a mensagem, em referência a 20 de janeiro, o dia da posse.

A pandemia de Covid-19 - que matou mais de 237 mil pessoas nos Estados Unidos - estará no centro das ações de Biden como presidente eleito.

Nesta segunda-feira (9), ele formará um grupo de especialistas para desenvolver um plano nacional de combate ao vírus que poderá ser implantado a partir do mesmo dia em que assumir o poder, no dia 20 de janeiro.

Outro eixo importante é a promessa de cancelar o processo de retirada dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS), lançado por Trump, e voltar ao Acordo do Clima de Paris para limitar as emissões que causam as mudanças climáticas.

Além disso, o democrata prometeu anular o decreto republicano de imigração que proíbe a entrada no país de cidadãos de vários países muçulmanos.

Incerteza sobre maioria no Senado
A atitude de Trump nos próximos dias pesará na capacidade de Biden de atuar antes de 20 de janeiro.

Biden e Harris - a primeira mulher a se tornar vice-presidente do país - devem começar a trabalhar na composição de seu gabinete, que deve dar às mulheres e às minorias um lugar de destaque.

Em sintonia com seu discurso de unidade, especula-se também sobre a inclusão de representantes da extrema esquerda de seu partido, sem esquecer os centristas e talvez até alguns republicanos. Mas essa decisão está sujeita à forma como o Senado será formado e esses resultados ainda não estão completos.

Nesta legislatura que termina, os republicanos detêm a maioria no Senado com 53 dos 100 assentos. Nesta eleição, em que 35 cadeiras foram renovadas, os democratas perderam uma e obtiveram duas dos republicanos.

No entanto, a contagem dos votos em dois estados ainda precisa ser concluída e na Geórgia um segundo turno será necessário porque nenhum dos candidatos atingiu o índice necessário para ser eleito. A eleição será realizada no dia 5 de janeiro, juntamente com a eleição do segundo senador por este estado.

O Senado será crucial na resposta à aguda crise econômica causada pela Covid-19 que deixou milhões de desempregados e danos profundos à economia dos Estados Unidos.

Antes das eleições, a Câmara dos Representantes dominada pelos democratas e o governo não chegaram a um acordo para lançar um novo plano de ajuda para complementar o pacote de US$ 3 trilhões aprovado em março.

Diante das poucas chances de chegar a um acordo antes da mudança de comando, essas negociações seriam um primeiro teste para o governo Biden se os republicanos mantiverem a maioria no Senado. Também permitiria que os republicanos bloqueassem as indicações para o novo governo.
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