Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Mundo

REDE

Sindicatos de sete países denunciam McDonald's na OCDE por 'assédio sexual sistêmico'

Por: FolhaPress

Publicado em: 18/05/2020 22:36

 (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação
Uma coalizão internacional de sindicatos apresentou denúncia nesta segunda-feira (18) à OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) contra o McDonald's, acusando a rede de "assédio sexual sistêmico" nas lanchonetes de vários países.

No Brasil, o Ministério Público do Trabalho recebeu ao menos 23 queixas de assédio moral, sexual e discriminação racial.

Segundo as acusações, os funcionários sofreriam com comentários vulgares, em alguns casos, seriam vítimas de toques, beijos forçados e até de tentativas de estupro e agressões físicas, sem que a empresa tome qualquer tipo de medida efetiva para conter ou impedir abusos.

Embora o grupo McDonald's seja formalmente sediado nos Estados Unidos, a denúncia foi apresentada a um centro da OCDE na Holanda, o NCP (Dutch National Contact Point), responsável por observar as diretrizes da organização para empresas multinacionais.

Também estão citados na queixa dois bancos de investimentos: o holandês APG Asset Management e o norueguês Norges Bank. Eles controlam grande parte do capital da gigante mundial.

O órgão deve decidir em três meses se dará início a um processo de mediação com a companhia, que pode levar a um modelo de conduta para operações em todo o mundo.

O documento detalha as falhas da administração global do McDonald's em lidar com o assédio sexual e a violência de gênero em sete países: Austrália, Brasil, Chile, Colômbia, França, Reino Unido e Estados Unidos.

Assinam o texto a União Internacional de Trabalhadores da Alimentação (International Union of Foodworkers), a Federação Europeia de Sindicatos da Alimentação, Agricultura e Turismo (European Federation of Food, Agriculture and Tourism Trade Unions), a brasileira União Geral dos Trabalhadores (UGT) e o Sindicato Internacional de Trabalhadores em Serviços (SEIU, dos Estados Unidos e Canadá).

A coalizão afirma que se trata da primeira denúncia de "assédio sexual sistêmico em uma multinacional" dentro dos princípios das diretrizes da OCDE – que preveem que as multinacionais e seus acionistas respeitem os direitos trabalhistas.

Segundo o documento, "a violência de gênero e o assédio fazem parte da cultura do McDonald's".

Em 2019, o então CEO do grupo, o britânico Steve Easterbrook, foi demitido após ter uma relação imprópria com uma funcionária da empresa.

À época, a companhia afirmou que Easterbrook demonstrou "falta de juízo", já que a empresa proíbe que os cargos mais altos se relacionem com os subordinados.

Na França, segundo o documento enviado à OCDE, um gerente teria instalado uma câmera de celular no vestiário feminino e filmado secretamente as funcionárias trocando de roupa.

"As mulheres disseram que foram ignoradas, ridicularizadas ou punidas quando denunciaram os casos à empresa. Algumas, inclusive, tiveram suas horas reduzidas e outras foram demitidas", afirma o texto.

No Brasil, no ano passado, o Ministério Público do Trabalho (MPT) no Paraná recebeu uma denúncia com 23 casos de assédio sexual ou discriminação racial de ex-funcionários brasileiros.

O procurador Alberto de Oliveira Neto, responsável pelo caso, disse à reportagem que, após colher depoimentos, sugeriu ao MPT uma atuação em âmbito nacional.

"Havias indícios de que o problema era maior, não fragmentado. Há possibilidade de casos com repercussão em várias lojas, no país inteiro", afirma.

No estado, a Arcos Dourados - maior franquia McDonald's do mundo e que opera as lojas brasileiras - assinou acordo coletivo em janeiro deste ano, onde se comprometeu a adotar medidas para combater o assédio sexual e moral.

Outro lado
Procurado, o McDonald's afirmou à reportagem, em nota, que "a companhia está engajada em conversas para promover ambientes de trabalho mais respeitosos e inclusivos".

"Acreditamos que temos a responsabilidade de agir quanto a essa questão e estamos comprometidos em promover continuamente mudanças positivas. Analisaremos a denúncia assim que a recebermos", afirmou.

No Brasil, a Arcos Dorados afirmou que "reitera seu total compromisso com a manutenção de um ambiente de trabalho inclusivo e respeitoso, não tolerando nenhuma prática de assédio ou discriminação".

Quanto às queixas de funcionários brasileiros, a empresa diz que já havia prestado todos os esclarecimentos ao Ministério Público do Trabalho e que também foi feita uma investigação pelo sindicato local diretamente com os funcionários dos restaurantes, que não teria confirmado as denúncias.

"A empresa atua sob um rígido Código de Conduta e treina constantemente seus líderes e equipes no tema. Mantém, ainda, um canal de denúncias anônimo e exclusivo para seus funcionários relatarem qualquer prática em desacordo com seus valores. No Brasil, empregamos cerca de 50 mil pessoas e figuramos nos principais rankings de bons empregadores", disse, em nota.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Um ato por justiça e solidariedade
Resumo da semana: criança morre ao cair de prédio e reabertura pós-quarentena
05/06: Manhã na Clube com Rhaldney Santos
Covid-19 põe indígenas amazônicos em grande risco
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco