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IMPACTOS

Europa tenta aplacar desastre econômico da pandemia e avança no desconfinamento

Por: AFP

Publicado em: 15/05/2020 14:44

 (Foto: BERTRAND GUAY / AFP)
Foto: BERTRAND GUAY / AFP
Algumas cidades abrem seus restaurantes, outras, suas escolas, e a vida tenta retomar seu curso com cautela em um planeta paralisado pela pandemia de coronavírus, que causou mais de 302.000 mortes e continua a provocar estragos em países como Estados Unidos, Brasil e Rússia.

Mais de cinco meses após o surgimento da COVID-19 na China, o mundo está aceitando a ideia de conviver com as limitações e o medo impostos por esse coronavírus. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), "talvez [o vírus] nunca vá desaparecer".

E, em paralelo, os esforços estão sendo redobrados para revitalizar a economia, mergulhada em uma recessão sem precedentes.

A maior economia europeia, a Alemanha, confirmou nesta sexta-feira uma queda de 2,2% em sua atividade no primeiro trimestre e espera um declínio anual de 6,3%.

Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), o volume de transações globais registrará uma "queda de dois dígitos" em quase todas as regiões do mundo.

Nesta sexta, os ministros das Finanças da zona do euro se reuniram virtualmente para discutir sua resposta à crise. Pioneira no desconfinamento, a Áustria deu um passo simbólico hoje com a reabertura de seus restaurantes e cafés.

Fanny e Sophie, duas estudantes de 19 anos, esperavam impacientemente para retomar seus hábitos no Café Goldegg, perto do museu Belvedere. "Para nós, foi difícil todo esse tempo. Sentimos falta desse café e voltaremos assim que possível", disseram, tomando café da manhã à mesa.

Uma atmosfera relativamente animada que contrastava com a de Veneza, onde a ausência de turistas fez até os pombos deixarem a Praça de São Marcos, na ausência de visitantes para alimentá-los.

"Sem turistas, Veneza é uma cidade morta", disse Mauro Sambo, um gondoleiro de 66 anos.

Enquanto isso, a Alemanha se prepara para retomar a liga de futebol neste fim de semana, com partidas a portas fechadas. Já a Eslovênia, que declarou o "fim" da epidemia em seu território, anunciou que reabrirá suas fronteiras.

Na Rússia, o campeonato será retomado em junho. E a Irlanda anunciou que começará a flexibilizar progressivamente o seu confinamento a partir da segunda-feira e até agosto. 

- "Voltar ao trabalho" -

No entanto, as medidas de distanciamento social ainda estão em vigor em todo mundo.

Na França, onde mais de 27.000 mortes foram registradas, os cidadãos vão poder aproveitar o primeiro fim de semana de desconfinamento para tomar ar e procurar uma área verde onde possam respirar.

"Eu realmente preciso me exercitar depois de trabalhar a semana toda em um escritório", disse Sylvie Bosredon, moradora da região de Paris, que planeja dar uma caminhada neste fim de semana entre Fontainebleau e o vale Chevreuse, ao sul da capital, convencida de que o passeio ajudará a "oxigenar".

O país continua a ser governado por inúmeras restrições, embora muitas praias tenham sido autorizadas a reabrir. O primeiro-ministro Édouard Philippe convidou a população a começar a planejar as férias de verão.

Além disso, o país anunciou nesta sexta-feira a primeira morte de uma criança por uma doença semelhante à de Kawasaki, que se acredita estar ligada à COVID-19. 

A este respeito, a OMS anunciou nesta sexta que investiga o o vínculo entre as doenças. 

Do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, onde mais de 85.900 mortes foram confirmadas, o presidente Donald Trump convidou os cidadãos a "voltarem ao trabalho". Quase 15% da população ativa está desempregada, um recorde.

Enquanto as praias próximas de Los Angeles reabriram, Nova York, a capital econômica do país, permanece paralisada. Com mais de 20.000 mortos, terá de esperar até 13 de junho para o fim do decreto de confinamento.

- "Genocídio" no Brasil -

Na América Latina, que registrava nesta sexta-feira um total de 25.662 mortes e 451.556 casos diagnosticados oficialmente, o Brasil é o país mais afetado, com quase 14.000 mortes.

Uma crise que levou o ministro da Saúde, Nelson Teich, a renunciar nesta sexta, alegando "incompatibilidades com o governo de Jair Bolsonaro, que se opõe a medidas rígidas de confinamento e promove o uso da cloroquina, segundo fontes do ministério à AFP. 

Teich ficou ocupou menos de um mês o cargo, depois de ter substituído em 17 de abril Luiz Henrique Mandetta, destituído por Bolsonaro, igualmente por discordâncias sobre o coronavírus.

Em agosto, o Brasil poderá atingir 90.000 mortes, devido à pandemia, de acordo com uma projeção do centro norte-americano que assessora a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

A previsão aponta ainda que, até lá, México, Peru e Equador atingirão 6.000 mortes, e a Argentina, 700.

De acordo com Christopher Murray, diretor do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde da Universidade de Washington (IHME), que assessora a OPAS, o Brasil atingirá o pico da epidemia no final de junho, observando que o inverno "provavelmente vai piorar as coisas".

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à AFP, que teme que a forte oposição do presidente Jair Bolsonaro à aplicação de medidas de confinamento leve a um "genocídio".

A Rússia é outro país onde a pandemia é violenta. Cerca de 10.000 novos casos são detectados todos os dias, levando a prefeitura de Moscou a anunciar um programa de testes de alcance "único" no mundo.

Na África, a pandemia ainda não causou o desastre temido e deixou menos de 2.500 mortos. Em em um estudo divulgado nesta sexta-feira, a OMS alertou, porém, que o continente pode chegar a 190.000 mortes.

Muitos especialistas desejam saber o verdadeiro balanço do coronavírus no mundo, já que, quando se compara o número de mortes de 2020 ao dos anos anteriores, sem contar as mortes por coronavírus, o número é muito maior.

Entre dados pessimistas, alguns raios de esperança: uma vacina pode estar disponível dentro de um ano, de acordo com um cenário "otimista" estabelecido pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

Mais de 100 projetos foram lançados no mundo todo e alguns ensaios clínicos estão em andamento para tentar encontrar um remédio para a doença.

A União Europeia insistiu em que a vacina deve ser "um bem de utilidade pública", e seu acesso, "justo e universal".
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