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Mesa, rival de Evo Morales, teme fraude nas eleições na Bolívia

Publicado em: 20/10/2019 10:52 | Atualizado em: 20/10/2019 10:59

Foto: AFP/Arquivos /Jorge Benal.
Carlos Mesa, adversário político de Evo Morales que ameaça a continuidade do atual presidente da Bolívia no cargo, teme uma fraude nas eleições gerais deste domingo (20), porque, segundo ele, o partido oficial controla "todos os órgãos do Estado".

Mesa, jornalista de 66 anos e ex-presidente da Bolívia, respondeu por escrito na sexta-feira uma série de perguntas enviadas pela AFP, onde afirmou que, se ganhar a presidência, se comprometerá com uma relação que não seja limitada por ideologias com os Estados Unidos", para "retomar o rumo democrático e iniciar uma mudança na direção que o país seguiu".

As últimas pesquisas mostram uma ligeira vantagem para Morales, e muitos analistas duvidam que o atual presidente possa vencer no primeiro turno, como acontece desde a sua primeira vitória em 2006. Uma pesquisa da universidade aponta que ele tem 32,3% das intenções de voto, contra 27% de Mesa.

P.- O senhor acredita que pode haver fraude eleitoral como alguns setores alertam?
R.- Temos, por um lado, um partido que controla todos os órgãos do Estado, inclusive o eleitoral, mas que também não tem entre seus princípios o respeito pelas regras da democracia; e, por outro lado, temos um Tribunal Eleitoral que demonstrou um claro viés em relação à candidatura do MAS; portanto, é muito provável que sejam feitas tentativas de afetar o resultado da votação, especialmente nas áreas rurais e em algumas cidades do exterior.

P.- O senhor considera normalizar as relações com os Estados Unidos? Desde 2008, o relacionamento bilateral se dá em nível de escalões inferiores.
R.- A normalização das relações com os Estados Unidos é importante. Inicialmente, devemos trabalhar em ajustes na política internacional que partem de uma 'desideologização' das relações e que priorizem os interesses de nosso país, antes de qualquer outra consideração.

Há muitas questões que devemos analisar, como a inserção da Bolívia nos novos cenários da economia global, do meio ambiente e do comércio internacional, que foram deixados para trás, gerando contratempos que hoje nos colocam em uma situação de desvantagem diante de nossos vizinhos.

P.- O senhor acredita que é necessário o retorno da Administração de Controle de Drogas dos Estados Unidos (DEA), expulsa em 2008 pelo atual governo?
R.- Em relação ao DEA, à luz das experiências que tivemos em 30 anos do fracasso na política e estratégia de combate ao narcotráfico, assumimos que não é necessário nem prudente o retorno dessa agência à Bolívia.

P.- Seu governo vai mudar as relações com Chile?
R.- Há um princípio em nosso relacionamento com o Chile que deve ser claro: a Bolívia nunca desistirá da reivindicação marítima.

No cenário atual e após a decisão de Haia, devemos encarar o relacionamento bilateral com uma política diferente e com novas pessoas, através do diálogo e da geração de confiança.

Temos que enfrentar os problemas pendentes, que não estão apenas relacionados à questão do mar; ambos os países precisam construir e formular um futuro diferente daquele que tivemos no passado recente e anteriormente; Isso implica uma mudança. Com o Chile, temos que estabelecer um relacionamento em muitas questões bilaterais importantes, além da questão marítima, como o portuário (trânsito livre, etc.), energético e comercial.

P.- O senhor acredita que o gás e o lítio serão a principal fonte de renda da Bolívia?
R.- Propomos iniciar uma transformação do padrão de desenvolvimento em direção a uma economia pós-extrativista, que não dependa apenas de mineração e hidrocarbonetos, mas que também revitalize e beneficie outros setores produtivos, como turismo, economia verde, criativa e digital.

(...) Entendemos que o lítio é a nova fronteira que deve modificar o extrativismo clássico. No vamos cometer os mesmos erros cometidos nos ciclos de matérias não renováveis como a prata, estanho, petróleo e o gás. Por isso, convocaremos um grande pacto nacional sobre o Lítio. Será elaborada em conjunto uma Estratégia Nacional, que oriente o país em direção ao verdadeiro potencial desta indústria que permita a inserção da Bolívia na cadeia de valor global do lítio.
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