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Em meio a ceticismo, negociadores veem avanços na negociação pelo brexit

Por: FolhaPress

Publicado em: 15/10/2019 20:17

O negociador da UE, Michel Barnier, disse nesta terça-feira (15) que, embora pareça cada vez mais difícil, um pacto de saída nesta semana está no horizonte - Foto: John THYS / AFP.
Quando se trata de brexit, é sempre bom duvidar, mas União Europeia (UE) e Reino Unido afirmaram que é possível alcançar um consenso que afaste o temido divórcio sem acordo no dia 31 de outubro.

Ao chegar a Luxemburgo, uma das sedes do bloco europeu, o negociador da UE Michel Barnier disse nesta terça-feira (15) que, embora pareça cada vez mais difícil, um pacto de saída nesta semana está no horizonte.

A declaração vai na mesma linha adotada pelo ministro britânico para o brexit, Steve Barclay, para quem "ainda é muito possível" alcançar um acordo, ainda que as "discussões sigam em curso".

Barnier e Barclay devem se encontrar em breve para tentar avançar as negociações antes de quinta e sexta-feira, quando ocorre a cúpula da União Europeia, considerada fundamental a apenas duas semanas da data prevista para o brexit.

Segundo o jornal The Guardian, citando fontes das duas partes, o governo do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, teria feito grandes concessões às demandas do bloco em relação à fronteira entre as Irlandas, o que faria com que um texto preliminar do trato pudesse ser divulgado já nesta quarta (16).

As equipes de negociação teriam consentido com a ideia de uma fronteira alfandegária no mar da Irlanda, e não mais por terra, uma proposta rejeitada pela ex-primeira-ministra Theresa May.

O chamado "backstop", uma fronteira para produtos entre a Irlanda, país da União Europeia, e a Irlanda do Norte, parte do Reino Unido, é a principal trava das negociações. 

Os dois pontos de divergência gravitam em torno de como evitar a aplicação de controles alfandegários e o garantir o direito de controle concedido às autoridades da Irlanda do Norte sobre o acordo de divórcio, que deve proteger o mercado único europeu e os acordos de paz que encerraram décadas de conflito.

Muitos, porém, preferem prudência. O chanceler holandês, Stef Blok, disse que o "Reino Unido tomou algumas medidas, mas não as suficientes para garantir a integridade do mercado comum".

Ainda que muitos pontos da negociação estejam sob dúvidas, a fagulha de otimismo fez com que a libra subisse ao nível mais alto em relação ao dólar e ao euro desde maio. Nesta terça, a moeda britânica passou a valer US$ 1,28, alta de 1,5%, e cada euro custava 86,37 centavos de libra.

Tirar o país do bloco europeu no dia 31, três anos após o referendo em que os britânicos votaram a favor da saída da UE, é a prioridade de Boris.

O primeiro-ministro tem como limite o sábado, dia 19 de outubro, para conseguir um acordo. Segundo legislação aprovada pelo Parlamento britânico, caso não chegue a um acordo com a UE até essa data, o premiê é obrigado a solicitar um novo adiamento do brexit, o terceiro desde março de 2019 e algo que hesita em fazer -as opções de extensão variam de um mês extra a um semestre ou mais.

Há outras alternativas, no entanto. Se Londres não fechar um pacto, poderá ocorrer -ainda não se sabe como- um divórcio amargo que afetaria o comércio, perturbaria os mercados financeiros e potencialmente levaria à cisão do Reino Unido.
Uma outra opção foi levantada pelo primeiro-ministro finlandês, Antti Rinne, cujo país exerce a presidência semestral da UE.

Ele destacou que as negociações podem continuar após a reunião europeia desta semana, o que fontes fontes diplomáticas corroboram -há chance de uma reunião extraordinária ser realizada antes de 31 de outubro.

No plano mais otimista, mesmo que obtenha a aprovação das grandes potências da Europa para o pacto, Boris ainda deve passá-lo ao crivo do Parlamento britânico, no qual não tem maioria. Caso seja necessário, os deputados podem se reunir numa rara sessão no sábado.

O plano de deixar a UE agravou os problemas de um bloco dilacerado por euroceticismo, disparidades econômicas e afluxo de migrantes.
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