clima menos amistoso Protestos violentos em Hong Kong ameaçam ofuscar os 70 anos da revolução chinesa

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 30/09/2019 17:14 Atualizado em:

Foto: Arquivo / AFP
Foto: Arquivo / AFP
Enquanto arranjos de flores, bandeiras e desfiles com roupas tradicionais coloriam a República da China e anunciavam as comemorações dos 70 anos de sua fundação, na costa sul do país balas de borracha e agressão entre civis deixaram Hong Kong com um clima menos amistoso neste final de semana.
 
A fim de colocar panos quentes e evitar que um acirramento dos conflitos ofusque as celebrações, nesta segunda (30) o chefe do regime ditatorial chinês, Xi Jinping, afirmou que seu país seguirá respeitando "íntegra e fielmente o princípio de 'um país, dois sistemas'", assim como o "elevado grau de autonomia" da ex-colônia britânica.
 
Hong Kong, palco de protestos pró-democracia desde junho deste ano, vê uma escalada da violência nos atos que tomam suas ruas. Neste domingo (29), a polícia lançou mão de canhões de água, balas de borracha, sprays de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo para conter os manifestantes.
 
Alguns dos civis que protestavam atiraram tijolos contra as forças policiais e estabelecimentos. Na estação de metrô Wan Chai e nas proximidades do Conselho Legislativo de Hong Kong, coquetéis molotov também foram arremessados.
 
Para se proteger, os manifestantes construíram barricadas com carrinhos de supermercado e latas de lixo.
 
Novas manifestações já estão sendo marcadas para esta terça (1º), data que marca os 70 anos do regime chinês. Na previsão das autoridades, os atos estão fadados a serem "muito perigosos".
"Os insurgentes estão aumentando seus atos de violência. A amplitude dessa violência e seus planos mostram que estão cada vez mais se voltando para o terrorismo", afirmou o superintendente da polícia de Hong Kong, John Tsé.
 
No sábado, um vídeo compartilhado nas redes socais mostra um civil sendo agredido por diversos manifestantes depois de se juntar aos protestos antigoverno hasteando a bandeira chinesa, em gesto de provocação.
 
O movimento deste ano é o maior desafio contra o governo chinês desde que o território deixou de ser colônia inglesa, em 1997, e não há sinais de um desfecho. 
 
Sob o princípio "um país, dois sistemas", Hong Kong dispõe de liberdade de expressão, acesso sem restrições à internet e independência judicial –oportunidades que não são compartilhadas com os cidadãos da China continental. 
 
Os ativistas pró-democracia, no entanto, denunciam o retrocesso dessas liberdades e a crescente ingerência de Pequim após ter recusado a realização de eleições totalmente livres.
 
Nesta segunda, as ruas de Hong Kong, do chão aos muros, amanheceram cobertas por pichações. Entre as palavras de ordem, estavam "liberdade para Hong Kong" e ofensas à China, como o termo "chinazi", um trocadilho com o termo "nazista".
 
Confirmados os protestos agressivos ou não, a orientação dada à mídia chinesa pelo Partido Comunista é que sejam divulgados conteúdos que priorizem a "energia positiva" da data em detrimento de notícias negativas –inclusos acidentes e desastres naturais.
 
Como parte da investida "paz e amor", imagens e mensagens patrióticas que elogiam o Partido Comunista têm sido projetadas nos arranha-céus de Pequim. 
 
Para esta terça, estão previstos discursos e festividades. A atração principal será uma parada militar munida de cerca de 15 mil homens, 160 aviões e dezenas de mísseis balísticos, uma forma de exibir ao mundo a China como uma superpotência global. 
 
Haverá ainda uma marcha protagonizada por 100 mil pessoas, 70 mil pombos e 70 mil balões –uma referência ao aniversário septuagenário do regime.  
 
O líder chinês, Xi Jinping, planeja participar do desfile a partir da praça da Paz Celestial, local em que Mao Tsé-tung (1893-1976) proclamou a República Popular da China em 1º de outubro de 1949.
 
Líder da revolução que instalou o comunismo na China, Mao Tsé-tung governou o país de 1949 até sua morte.


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