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Netanyahu promete anexar Vale do Jordão

Publicado em: 11/09/2019 08:46

Gil COHEN-MAGEN / AFP
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, prometeu nesta terça-feira (10), anexar uma parte estratégica da Cisjordânia ocupada se for reeleito no dia 17. Ele disse que a medida proporcionaria "fronteiras permanentes e seguras" pela primeira vez na história de Israel. A decisão, no entanto, reduziria qualquer possível Estado palestino a um enclave rodeado pelos israelenses.

"Se eu receber de vocês, cidadãos de Israel, um mandato claro, declaro hoje minha intenção de aplicar, com um futuro governo, a soberania de Israel sobre o Vale do Jordão e a parte norte do Mar Morto", disse Netanyahu a jornalistas em Ramat Gan, perto de Tel-Aviv, em entrevista organizada por seu partido, o Likud.

Netanyahu, que tenta atrair eleitores nos assentamentos judaicos que defendem a anexação da Cisjordânia, está empatado com seu rival, o ex-chefe do Exército de Israel, Benny Gantz, líder do partido Azul e Branco, de centro-direita. Na terça, o general reivindicou a ideia de anexar o Vale do Jordão. "Estamos felizes de ver que Netanyahu adota nosso plano", disse.

Nos últimos meses, o premiê tem tentado desviar o foco de três denúncias de corrupção apresentadas contra ele e focado em questões de segurança nacional. Na segunda-feira, em mais uma ação contra o Irã, ele divulgou imagens de um suposto local de teste de armas nucleares utilizado pelos iranianos que teria sido descoberto por Israel.

Os EUA devem apresentar detalhes de seu plano de paz para o Oriente Médio depois das eleições israelenses. Segundo Netanyahu esse plano será "uma oportunidade histórica e única de aplicar nossa soberania sobre nossas colônias em Judeia e Samaria (como Israel chama a Cisjordânia) e em outros locais-chave para a nossa segurança". "Não tivemos tamanha oportunidade desde a Guerra dos Seis Dias e duvido que teremos uma outra oportunidade nos próximos 50 anos", defendeu o premiê.

O Vale do Jordão representa cerca de 30% da Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel desde 1967. A maior parte do mundo considera ilegais os assentamentos israelenses na região. Na terça, a ex-negociadora palestina Hanan Ashraui afirmou que a intenção de anexar parte da Cisjordânia destrói qualquer possibilidade de acordo de paz. "Netanyahu não está apenas destruindo a solução de dois Estados, mas também qualquer possibilidade de paz."

Os países islâmicos reagiram com irritação ao anúncio de Netanyahu. Ayman Safadi, chanceler da Jordânia, disse que a anexação "é uma ameaça à segurança da região". O chanceler da Turquia, Mevlut Cavusoglu, afirmou que a medida de Netanyahu era digna de um "Estado de apartheid". 
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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