Chanceler Merkel pede em Pequim garantias às liberdades de Hong Kong

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 06/09/2019 11:32 Atualizado em:

Andrea Verdelli/AFP
Andrea Verdelli/AFP
A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu publicamente à China o respeito aos direitos liberdades de Hong Kong, cenário há três meses de manifestações contra o governo local, leal a Pequim.

"Destaquei que os direitos e liberdades devem ser garantidos", declarou a chanceler alemã em uma entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang. 

"Na atual situação é necessário fazer tudo para evitar a violência e soluções serão encontradas apenas por meio do diálogo", completou a chefe de Governo da Alemanha.

"Há demonstrações de que a chefe do Executivo de Hong Kong deseja praticar o diálogo", destacou Merkel. 

A alemã considerou um "passo importante" o anúncio da retirada do polêmico projeto de lei sobre as extradições para a China, que provocou o início dos protestos na ex-colônia britânica há três meses.

A líder do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, pediu na quinta-feira aos manifestantes um diálogo, um dia depois de anunciar a retirada do projeto, medida que não foi suficiente para convencer o movimento pró-democracia.

"Espero que, com base nisso, os que protestaram tenham a oportunidade de participar neste diálogo, no âmbito de suas liberdades civis, e que aconteçam avanços", insistiu na entrevista, transmitida pela imprensa alemã.

Em sua décima visita à China, Angela Merkel está acompanhada por uma grande delegação comercial.

O acesso da imprensa foi especialmente complicado. Vários meios de comunicação estrangeiros presentes em Pequim, como a AFP, não receberam credenciais. As autoridades chinesas alegaram falta de espaço pelo grande número de jornalistas que acompanham Merkel.

Antes da visita, ativistas do movimento pró-democracia em Hong Kong pediram ajuda a Merkel, em uma carta publicada na quarta-feira pelo jornal Bild.

"Senhora chanceler Merkel, você cresceu na RDA (Alemanha Oriental). Viveu diretamente o horror de um governo ditatorial", recordaram os ativistas.

"Esperamos que expresse a sua preocupação com a nossa situação e que anuncie nossas reivindicações ao governo chinês durante sua estadia na China", completaram no texto.


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