Desastre natural Dorian se aproxima da Flórida, após matar 20 pessoas nas Bahamas

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 05/09/2019 08:34 Atualizado em:

Arquivo/AFP
Arquivo/AFP
Depois de cair para categoria 2, o furacão Dorian se dirigia muito lentamente para a costa sudeste dos Estados Unidos, nesta terça-feira (3), após semear morte e devastação no arquipélago das Bahamas, onde o número de mortos devido à tempestade chegou a 20.

Na manhã desta terça, as ilhas Ábaco e Grand Bahama continuavam em grande parte isoladas do mundo. Ainda assim, as primeiras imagens começavam a surgir nas redes sociais, dando uma ideia inicial do tamanho do desastre.

Evocando uma "tragédia histórica", o primeiro-ministro do arquipélago, Hubert Minnis, confirmou ontem a morte de pelo menos cinco pessoas no pequeno arquipélago das ilhas Ábaco. O número de vítimas pode aumentar.

O ministro do Interior das Bahamas, Marvin Dames, disse a jornalistas que havia crianças entre os falecidos e que "infelizmente veremos mais mortos", segundo o jornal Nassau Guardian.

"Esta é uma crise de proporções épicas, talvez a pior que já vivemos", acrescentou.

"Continua a chover, com fortes tempestades", disse à AFP Yasmin Rigby, uma moradora de Grand Bahama, ilha sobre a qual o Dorian ficou bastante tempo estacionado, elevando perigosamente o nível das águas.

"Não posso me mudar", desabafou. "Eu precisaria de um caminhão grande, porque a maior parte da ilha está inundada. Felizmente, temos suprimentos suficientes", acrescentou.

Pelo menos 61.000 pessoas estariam precisando de ajuda alimentar nas Bahamas, estimou a ONU nesta terça, que se prepara para enviar duas equipes de avaliação. Entre eles, estarão especialistas do Programa Alimentar Mundial (PAM).

Na segunda-feira, a Cruz Vermelha anunciou que cerca de 13 mil casas podem ter sido danificadas ou destruídas nas ilhas Ábaco e Grand Bahama. Também nesse dia, quando Dorian estava praticamente estacionado sobre Grand Bahama, o ministro do Turismo anunciou o início das operações de resgate "nas partes em que for seguro".

"Perigosamente perto"
Na categoria máxima (5) no momento em que atingiu as Bahamas, o Dorian perdeu força até chegar ao nível 2, segundo o último boletim do Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês), às 15h GMT (12h em Brasília).

O furacão se encontrava 168 quilômetros a oeste de Fort Pierce, na Flórida, para onde se movia a uma velocidade bastante reduzida de 3,2 km/h, com ventos de até 175 km/h.

Ainda que seus ventos tenham diminuído, continua sendo muito perigoso, alertam os meteorologistas, que tentam prever sua trajetória exata.

O NHC indicou que a ilha Grand Bahama continuava experimentando ventos perigosos que ameaçam a vida e extremas inundações pelas fortes chuvas, e que as condições difíceis continuarão durante toda esta terça-feira.

A previsão do NHC é que Dorian ganhará velocidade e aumentará de tamanho durante o dia, e irá girar para o norte na quarta-feira à noite.

Ele deve se aproximar "perigosamente perto" da Flórida até quarta à noite e se estender ao longo da costa sudeste americana, afetando os estados da Geórgia, Carolina do Sul e Carolina do Norte.

Várias pessoas receberam ordem de evacuação no litoral das regiões ameaçadas.

O senador e ex-governador do Flórida Rick Scott tuitou: "se está em uma zona de evacuação, saia AGORA. Podemos reconstruir sua casa. Não podemos reconstruir sua vida".

Em Port St. Lucie, uma área de baixa renda com estacionamentos de trailers agora vazios, Dan Peatle, de 78 anos, fugiu de sua comunidade para se abrigar em um hotel.

Mesmo que o olho do furacão não atinja a terra, as autoridades põem a população em estado de alerta sobre os riscos de aumento repentino no volume das águas e de inundações.

Grandes ondas castigavam esta manhã as praias de Port Saint Lucie, cidade costeira da Flórida, ao norte de Palm Beach.

Funcionária de um hotel, onde se abrigou com sua família, Lynda Granon, de 62 anos, espera a chegada do Dorian com pessimismo.

"Perdemos tudo e reconstruímos. É assim que é na Flórida!", afirmou, em conversa com a AFP, lembrando que enfrentou cinco furacões nos últimos 15 anos. "Isso pelo menos permite renovar a decoração", completou.


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