PRÓ-DEMOCRACIA Confrontos em Hong Kong, no quinto aniversário do movimento dos 'Guarda-chuvas'

Por: AFP - Agence France-Presse

Por: Agência Brasil

Publicado em: 28/09/2019 15:16 Atualizado em:

Foto: Nicolas Asfouri/AFP
Foto: Nicolas Asfouri/AFP
A polícia de Hong Kong usou canhões de água neste sábado (28) à noite contra um grupo de manifestantes que jogava coquetéis molotov  em direção ao prédio do Escritório de Ligação, que abriga a representação do governo central chinês.

Não muito distante, dezenas de milhares de manifestantes pró-democracia estavam reunidos pacificamente em um parque, por ocasião do quinto aniversário do início do "Movimento dos Guarda-chuvas", o precursor da mobilização que sacode atualmente a ex-colônia britânica.

Próximo ao prédio oficial chinês, dezenas de mascarados atiravam garrafas incendiárias e outros projéteis. O local é alvo frequente de ataques durante as recentes manifestações, por vezes violentas.

Lançado em 28 de setembro de 2014, o Movimento dos Guarda-Chuvas, uma ocupação pacífica do coração político e financeiro da megalópole, durou 79 dias.

Os manifestantes reivindicaram o estabelecimento de um verdadeiro sufrágio universal para a eleição de seus líderes locais. Mas, apesar da escala dessa mobilização muito pacífica, Pequim finalmente não fez concessões.

Cinco anos depois, a ex-colônia britânica volta a enfrentar uma grave crise política. Mas o fracasso de 2014 radicalizou o movimento pró-democracia.

Desde o início de junho, Hong Kong vive ações e mobilizações quase diárias.

Neste sábado à noite, uma multidão de manifestantes também invadiu a Harcourt Road, uma grande artéria que cruza o distrito central de Admiralty.

Esta mobilização começou quando a polícia usou gás lacrimogêneo contra um pequeno grupo de estudantes perto do LegCo, o parlamento local.

Os manifestantes se protegeram abrindo seus guarda-chuvas, um objeto que se tornou emblemático.

"Acho que as pessoas estão prontas para um longo combate, porque não é fácil obter a democracia do Partido Comunista Chinês", disse à AFP, uma engenheira de 29 anos que se chama Yuan.

Em 2014, ela não participou do Movimento dos Guarda-Chuvas, mas este ano, sentiu-se obrigada a protestar por causa da atitude partidária da polícia local.

"O comportamento da polícia tem sido um catalisador", estima Yuan, referindo-se a acusações generalizadas de brutalidade policial.

A atual contestação surgiu da rejeição a um projeto de lei que visava autorizar as extradições para a China continental. A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, finalmente desistiu do projeto no início de setembro.

Mas essa medida foi considerada tardia pelos manifestantes, que ampliaram consideravelmente suas demandas para exigir reformas democráticas.

Essa mobilização é também uma denúncia das ingerências cada vez mais frequentes de Pequim nos assuntos de sua região semi-autônoma, violando, segundo os manifestantes, o famoso princípio "Um país, dois sistemas" que regeu a retrocessão. 

"Se as reivindicações fossem atendidas com ações pacíficas, racionais e não violentas, não precisaríamos de métodos mais radicais", declarou neste sábado um estudante de 20 anos.

"Quando olhamos para trás, o pacífico Movimento dos Guarda-Chuvas não obteve nada".

Os manifestantes de Hong Kong planejaram várias ações até terça-feira, quando a China celebrará o 70º aniversário de sua fundação, incluindo uma grande parada militar.

Manifestações também estão previstas para domingo na ex-colônia britânica por ocasião de um dia mundial contra o totalitarismo.

Os estudantes planejam uma greve escolar na segunda-feira e novas  manifestações foram convocadas para terça-feira.

A polícia não permitiu nenhuma manifestação pró-democracia em 1 de outubro.


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