AFEGANISTÃO Estado Islâmico assume atentado em Cabul que deixou 63 mortos Os enterros já começaram a ser organizados, como mostravam emissoras locais. Em um dos funerais, uma mesma família se despedia de 14 de seus entes queridos.

Publicado em: 18/08/2019 13:12 Atualizado em: 18/08/2019 14:46

Foto: Google Maps/Reprodução.
Foto: Google Maps/Reprodução.
O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou, neste domingo (18), a autoria do atentado suicida que deixou pelo menos 63 mortos e 182 feridos na noite de sábado (17), em uma festa de casamento em Cabul, capital do Afeganistão. "Ontem o irmão suicida Abu Assem al-Pakistani [...] conseguiu ferir um grande grupo [...] de apóstatas" em Cabul, ao detonar "seu cinturão quando estava no meio da multidão", declarou o grupo extremista em um comunicado publicado no aplicativo Telegram.

"Depois da chegada de membros da segurança, os mujahedines detonaram um carro-bomba", completou a mesma fonte. Composto por islamistas radicais sunitas, o EI já atacou a comunidade xiita do Afeganistão, em diferentes ocasiões. Este era o caso da família dos noivos.

Os talibãs negaram imediatamente qualquer envolvimento no atentado. 

"Os talibãs não podem se eximir de qualquer responsabilidade, já que servem como plataforma dos terroristas", reagiu o presidente afegão, Ashraf Ghani, que classificou como "bárbaro" este atentado cometido na véspera do centenário da independência do Afeganistão. 

'Cena de massacre' - "Às 22h40 locais (cerca de 15h de Brasília), ocorreu uma explosão no salão de casamentos Shar Dubai, no oeste de Cabul", informou à imprensa o porta-voz do Ministério do Interior, Narrat Rahimi, compartilhando no Facebook imagens, nas quais se veem o que parecem ser muitos corpos.

"Entre as vítimas, há mulheres e crianças", disse Rahimi, confirmando que o ato foi cometido por "um homem-bomba que detonou seus explosivos".  "Os participantes dançavam e celebravam quando houve a explosão", contou um convidado ferido nos braços e no abdômen. "Era o caos, uma cena de massacre, uma carnificina", relatou outro ferido, de 22 anos, em conversa com a AFP no hospital. Segundo Hameed Quresh, que perdeu um dos irmãos na tragédia, havia mais de mil convidados.


Mohamad Farhag disse que estava na área reservada às mulheres quando ouviu uma forte explosão na zona destinada aos homens. "Todo mundo correu para fora, gritando e chorando", relatou. "Durante 20 minutos, a sala ficou cheia de fumaça. Quase todo o mundo na seção de homens estava morto, ou ferido", continuou.

"Transformaram minha felicidade em desgraça. Perdi meu irmão, meus amigos e minha família. Nunca mais poderei ser feliz", desabafou o noivo, Mirwais, em entrevista a uma emissora de televisão local. "Ontem, os convidados chegaram sorridentes ao meu casamento e depois estávamos retirando os corpos", lamentou.

Ao amanhecer, o salão de festas tinha as janelas quebradas, o teto implodido, e o chão estava cheio de manchas de sangue, relata um fotógrafo da AFP. Na entrada, uma pilha de sapatos deixados para trás no momento do pânico.

Os enterros já começaram a ser organizados, como mostravam emissoras locais. Em um dos funerais, uma mesma família se despedia de 14 de seus entes queridos.



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