china Em meio a protestos, Hong Kong registra agressões a jornalistas

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 16/08/2019 13:52 Atualizado em:

Foto: Anthony WALLACE / AFP
Foto: Anthony WALLACE / AFP
Com a escalada da violência nos protestos em Hong Kong -que entram na sua 11ª semana-, os últimos dias registraram ao menos quatro casos de agressão a jornalistas.
 
Fu Guohao, repórter da publicação estatal chinesa Global Times, foi agredido por manifestantes por ter sido visto com um agente do governo chinês, um dia depois de o Partido Comunista ter admitido o uso de policiais à paisana nos protestos.
 
O episódio ocorreu na manifestação de terça (14), que fechou o aeroporto internacional do território e teve brigas entre os ativistas e a polícia.
 
Guohao teve suas mãos atadas com lacres de plástico e foi agredido. Em seguida, equipes de segurança o levaram para o hospital.
 
Os manifestantes pediram desculpas pelo comportamento, dizendo que estavam "muito assustados". "Por favor, aceitem nossas sinceras desculpas a todos os passageiros, repórteres e paramédicos", disseram em um post numa rede social. 
 
O Clube dos Correspondentes Estrangeiros em Hong Kong também se disse preocupado com o ataque ao repórter do Global Times. "Pedimos aos manifestantes que respeitem o direito de jornalistas, independentemente da nacionalidade ou da organização de notícias, de cobrirem eventos livres de intimidação ou violência."
 
No domingo (11), quando uma multidão batia em um homem vestido de preto no bairro North Point, um jornalista do diário de Hong Kong Ming Pao se aproximou para cobrir a história, mas foi empurrado para longe e levou um soco na bochecha. 
 
Além disso, jornalistas do site pró-democracia Stand News e da rádio RTHK foram intimidados por manifestantes enquanto reportavam sobre o protesto no mesmo bairro. O da Stand News foi ameaçado com uma vara e teve o tripé de sua câmera derrubado; o da RTHK foi agredido.
Segundo a Associação de Jornalistas de Hong Kong, que divulgou os ataques, havia policiais por perto, mas eles não efetuaram nenhuma prisão.
 
Na segunda (12), o Clube dos Correspondentes Estrangeiros enviou uma carta em tom crítico ao comissário de polícia do território. A organização afirmou estar "muito preocupada" com as relações entre a polícia e a mídia desde que as manifestações contra o projeto de lei de extradição começaram, em junho.
 
Eles pedem para que jornalistas não sejam importunados pela polícia quando estão cobrindo as manifestações e recomendam que agentes de segurança acreditem que quem veste coletes marcados com a palavra "imprensa" são realmente profissionais da imprensa e não impostores. 
Também recomendam cautela no uso de gás lacrimogêneo pela polícia. Finalmente, pedem para que policiais ajudem prontamente jornalistas que eventualmente sejam feridos.


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