Amazônia Cúpula do G7: Irã, China, Amazônia e aposta de Trump na conciliação

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 26/08/2019 20:24 Atualizado em:

Foto: Arquivo/AFP
Foto: Arquivo/AFP
Os líderes do G7 demonstraram, nesta segunda-feira (26), uma unidade rara desde a eleição de Donald Trump - que adotou um tom conciliador sobre várias questões - e aprovaram uma ajuda de emergência para combater as queimadas na Amazônia.

No final da cúpula anterior dos sete países mais industrializados do mundo (França, Alemanha, Gã-Bretanha, Itália, Estados Unidos, Canadá e Japão), em junho de 2018, no Canadá, o presidente americano havia se recusado a assinar o comunicado final.

Este ano, na declaração final de Biarritz, no sudoeste da França, os membros do G7 pediram respeito ao status de autonomia de Hong Kong e que se "evitem as violências".

"O G7 reafirma a existência e a importância da declaração sino-britânica de 1984 sobre Hong Kong e pede que evitem as violências", diz o texto.

A China não faz parte do G7.

Além disso, o presidente francês, Emmanuel Macron, conseguiu estabelecer um ambiente mais consensual, multiplicando as iniciativas, com um golpe diplomático sobre o Irã.

O presidente dos EUA, Donald Trump, saudou "dois dias e meio de grande unidade" entre os líderes do G7. "Uma mensagem de unidade: foi o que realmente saiu das nossas discussões", celebrou Macron.

Distante das costumeiras ameaças sobre o Irã, Donald Trump declarou ter aprovado ele mesmo a visita surpresa do chefe da diplomacia iraniana no domingo à Biarritz, à margem da cúpula, mesmo sem querer encontrá-lo.

"Se as circunstâncias forem convenientes, estarei, certamente, de acordo para encontrá-lo", declarou Trump, ao lado de Macron.

Esse encontro pode acontecer "nas próximas semanas", afirmou.

Esta presença surpresa parece ter aliviado um pouco a tensão sobre a questão nuclear iraniana, enquanto o Golfo segue à beira do caos após uma série de ataques a petroleiros e da destruição pelo Irã de um drone americano.

"É um grande avanço", comemorou a chanceler alemã, Angela Merkel, saudando a nova "atmosfera de discussões".

Em Biarritz, Mohammad Javad Zarif se reuniu apenas com Macron e com seu colega francês, Jean-Yves Le Drian, bem como com representantes alemães e britânicos.

Mas existe "agora uma atmosfera que permite discussões, tudo isso em coordenação com os Estados Unidos, o que já é muito", ressaltou a chanceler.

Em Teerã, o presidente Hassan Rohani também defendeu o diálogo em nome "dos interesses nacionais", frente às críticas da ala dura do regime.

"Extraordinariamente desrespeitoso"

Em 2018, Trump abandonou o acordo de Viena, com o objetivo de impedir o Irã de se dotar da arma atômica, e reintroduziu pesadas sanções que asfixiam a economia iraniana.

Teerã respondeu, abandonando progressivamente o acordo, para desespero dos europeus.

Esta sequência de ações provocou uma escalada na Golfo, onde vários petroleiros foram sabotados e um drone americano, abatido pelo Irã.

"Não procuramos a mudança de regime em Teerã, mas queremos um Irã rico e que não seja nuclear", assegurou Trump, que exige um novo acordo.

Sobre o meio ambiente, Donald Trump não participou da reunião em Biarritz envolvendo o assunto, dando prioridade a encontros bilaterais. 

Mas o G7 prometeu uma ajuda de emergência de 20 milhões de dólares para enviar aviões de combate a incêndios à Amazônia.

Os países-membros do G7 também concordaram com uma ajuda a médio prazo destinada ao reflorestamento, e que será finalizada para a Assembleia Geral da ONU no final de setembro.

A mobilização de Macron sobre a questão valeu insultos no Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro chegou a fazer comentários ofensivos contra a primeira-dama anfitriã, Brigitte.

"Comentários extraordinariamente desrespeitosos", lamentou o chefe de Estado, que desejou aos brasileiro um presidente "que se comporte à altura".

Acordo sobre gigantes tecnológicos

À frente da guerra comercial com a China, o presidente americano também enviou sinais positivos, anunciando que as negociações com Pequim serão retomadas "muito em breve", apesar de uma nova queda de braço na sexta-feira sobre direitos aduaneiros.

"Os chineses querem um acordo (...) acho que vamos encontrar um", disse ele, pressionado por seus colegas do G7 a agir para evitar que esse conflito arruíne a economia global.

Na declaração final, os países do G7 reforçaram a autonomia de Hong Kong e pediram para a violência ser evitada na região. 

França e Estados Unidos ainda alcançaram um acordo sobre o imposto francês que afeta os gigantes americanos da tecnologia. 

Os países reunidos concordaram em implementar uma tarifa internacional sobre as gigantes digitais em 2020. Neste momento, a França vai eliminar seu imposto e reembolsar as empresas seu pagamento até então em forma de dedução da nova taxa, explicou Macron à imprensa.

A cúpula aconteceu no ambiente muito aconchegante de Biarritz, renomada estância balneária do Atlântico, que havia sido isolada pela polícia, com cerca de 13.000 policiais e gendarmes implantados em toda região.

Ativistas anti-G7 participaram de uma marcha simbólica no meio do dia para tentar penetrar na "zona vermelha" da cúpula em Biarritz, a fim de "acusar publicamente" os sete líderes de "ilegitimidade".

No plano da segurança, o governo francês passou no teste com sucesso, evitando as manifestações violentas, enquanto a França viveu no inverno passado a crise dos coletes amarelos.


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