Protesto China substitui tropas em Hong Kong antes de manifestação proibida

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 29/08/2019 09:35 Atualizado em:

Lillian Suwanrumpha/AFP
Lillian Suwanrumpha/AFP
O exército chinês enviou nesta quinta-feira tropas a Hong Kong para uma rotação que classifica de rotina, dois dias antes de uma manifestação que foi proibida pela polícia sob o argumento de que poderia terminar em violência.

Dezenas de caminhões e veículos blindados transportaram durante a noite soldados a partir da China continental até a região administrativa especial de Hong Kong.

"É uma rotação anual normal das tropas do Exército Popular de Libertação", informou a agência estatal Xinhua.

O exército chinês mantém milhares de soldados em Hong Kong desde a devolução da ex-colônia britânica à China em 1997.

As novas unidades chegaram por terra, mar e ar, completou a agência.

O exército chinês não deve, a princípio, intervir em Hong Kong, mas pode assumir tarefas de ordem pública em caso de pedido das autoridades locais da megalópole.

No início de agosto, um vídeo que mostrava soldados do quartel de Hong Kong durante exercícios de dispersão de manifestantes foi interpretado como uma advertência aos manifestantes pró-democracia, que se opõem ao Executivo local vinculado a Pequim.

Tiro de advertência
A substituição de tropas acontece no mesmo dia em que a polícia de Hong Kong proibiu uma nova manifestação pró-democracia convocada para sábado, alegando razões de segurança e eventuais atos de violência.

A manifestação foi convocada pela Frente Civil dos Direitos Humanos (FCDH), uma organização pacífica responsável pelas maiores concentrações dos últimos meses na ex-colônia britânica, sobretudo a de 18 de agosto que reuniu 1,7 milhão de pessoas - segundo os organizadores -, sem incidentes.

Em uma carta dirigida ao FCDH, a polícia afirma temer que alguns manifestantes cometam "violência ou atos de destruição".

A polícia destacou que em protestos anteriores alguns participantes provocaram "incêndios, bloquearam avenidas, usaram bombas incendiárias, tijolos, barras de metal e diversas armas artesanais para destruir bens públicos em grande escala, perturbar a ordem social e provocar ferimentos em outros".

A proibição foi anunciada quatro dias depois do uso por parte da polícia de jatos de água e, pela primeira vez, de um tiro de advertência com arma de fogo em um protesto autorizado que havia resultado em violência.

A manifestação de sábado marcaria o quinto aniversário da recusa da China a aceitar reformas políticas em Hong Kong, o que desencadeou o "movimento dos guarda-chuvas", com protestos que ocuparam as ruas da megalópole durante 79 dias, sem nenhuma concessão por parte de Pequim.

"Podem ver que a polícia acelera seu plano de ação e que Carrie Lam (chefe do Executivo de Hong Kong) não tem nenhuma intenção de permitir que Hong Kong recupere a paz. Pelo contrário, busca atiçar a ira dos cidadãos com medidas duras", declarou Jimmy Sham, líder da FCDH, que pretende apelar contra a decisão.

A Frente Civil convocou os manifestantes para uma concentração no sábado no centro de Hong Kong e uma passeata em direção ao Escritório de Representação, o órgão chinês responsável com as relações com a megalópole. Mas as duas atividades foram proibidas.

Hong Kong, região semiautônoma do sul da China, vive sua maior crise política desde a devolução pelo Reino Unido em 1997, com ações quase diárias nas quais os manifestantes denunciam um retrocesso das liberdades e uma crescente interferência de Pequim.

Os protestos começaram com as críticas a um projeto de lei que autorizaria extradições à China. Apesar da suspensão do mesmo pelas autoridades de Hong Kong, o movimento ampliou as reivindicações para pedir mais democracia e a proteção das liberdades.


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