Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Notícia de Mundo

Defesa

Turquia recebe primeiro carregamento de mísseis russos

Por: AFP

Publicado em: 12/07/2019 09:23

Foto: Alexander Nemenov/AFP (Foto: Alexander Nemenov/AFP)
Foto: Alexander Nemenov/AFP (Foto: Alexander Nemenov/AFP)
A Rússia começou a entregar nesta sexta-feira à Turquia mísseis S-400, apesar da oposição do governo dos Estados Unidos à compra por parte de Ancara deste sistema de defesa antiaérea, anunciou o ministério turco da Defesa.

"A entrega da primeira carga de equipamentos de defesa antiaérea S-400 começou em 12 de julho na base aérea Murted de Ancara", afirma um comunicado ministerial.

A informação foi confirmada por fontes oficiais em Moscou.

De acordo com uma fonte citada pela agência pública TASS, outro avião com outros elmentos do S-400 deve decolar "em breve" e uma terceira entrega de mais de 120 mísseis de diferentes tipos será enviada "no final do verão por via marítima".

Além disso, uma outra fonte informou à TASS que cerca de 20 militares turcos foram formados entre maio e junho na Rússia para a utilização dos S-400, e 80 a outros devem receber formação entre julho e agosto.

A base de Murted, que antes era chamada Akinci, é considerada o quartel-general dos oficiais que tentaram um golpe de Estado contra o presidente turco Recep Tayyip Erdogan em julho de 2016.

A entrega deste sofisticado sistema de defesa aérea é um marco na aproximação de relações entre Rússia e Turquia, que se distanciou do campo ocidental desde a tentativa de golpe de Estado.

O terceiro aniversário do golpe de Estado frustrado acontecerá na segunda-feira.
Após o anúncio oficial, um responsável da Otan se disse "preocupado" com a entrega à Turquia, um peso pesado da Aliança Atlântica, dos mísseis russos S-400.

"A interoperabilidade de nossas Forças Armadas é essencial na condução de nossas operações e missões", disse o responsável, que pediu anonimato, instando Ancara a continuar desenvolvendo sistemas de defesa aérea com aliados da Otan.

Advertências americanas
Na quarta-feira, a Turquia rejeitou uma última advertência americana sobre a compra dos mísseis russos.

"Pedimos à parte americana que não adote medidas prejudiciais para as relações entre os dois países", afirma um comunicado do ministério turco das Relações Exteriores, em resposta a uma declaração da porta-voz do Departamento de Estado americano.

"A Turquia ficará exposta a consequências reais e nefastas se aceitar os S-400", declarou a porta-voz, Morgan Ortagus.

O governo dos Estados Unidos é contrário à compra dos S-400 por parte da Turquia porque considera que estes mísseis não são compatíveis com os dispositivos da Otan, aliança de defesa que tem a presença da Turquia.

Washington também menciona o risco de que os militares russos que treinarão os turcos para o uso dos mísseis possam ter acesso aos segredos tecnológicos do novo caça americano F-35, que a Turquia deseja comprar.

No início de junho, o Pentágono lançou um ultimato a Ancara, dando o prazo até 31 de julho para desistir dos mísseis russos, sob o risco de ser excluída do programa F-35. Mas Erdogan disse no final de junho, depois de se encontrar com Donald Trump no Japão, que não temia expor seu país a sanções.

De acordo com Nick Heras, do Center for a New American Security, o sistema S-400 "muda as regras do jogo com relação à estratégia de defesa aérea da Turquia".

"Do ponto de vista de segurança nacional, a Turquia precisa de um sistema de defesa aérea eficaz e de amplo alcance para cobrir todo o país, e os S-400 são perfeitamente adequados a essa necessidade", disse à AFP.

"Não é nenhum segredo que Erdogan quer fazer da Turquia uma potência, o que supõe encontrar um equilíbrio entre as relações com a Rússia e a China, por um lado, e com os Estados Unidos, por outro", apontou.

Para Nicholas Danforth, do German Marshall Fund, a compra desses mísseis reflete o desejo de Ancara de adotar "uma política externa independente e passar a limpo os termos de seu relacionamento com os Estados Unidos".
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Sobre Vidas: Nivia e o empoderamento de mulheres no Coque
DP Auto na Tóquio Motor Show - Tudo sobre a Nissan
Sérum, pele natural, sombras coloridas e blush cremoso
Lula: sou um homem melhor do que aquele que entrou na cadeia

Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco