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Vídeo contradiz afirmação dos EUA de que Maduro mandou queimar ajuda

Publicado em: 11/03/2019 21:46 | Atualizado em: 11/03/2019 21:53

Foto: Reprodução/Internet

Uma análise de vídeo, divulgada pelo jornal The New York Times neste domingo (10), aponta que o incêndio em caminhões que traziam ajuda humanitária no mês passado, na fronteira da Colômbia como a Venezuela, teria sido provocado por manifestantes de oposição à Maduro, e não por ordem do líder venezuelano como acusam os Estados Unidos. 

As imagens de caminhões em chamas circularam por diversos veículos de comunicação do mundo como "prova" da ordem de Maduro de queimar a ajuda humanitária à Venezuela. O Departamento de Estado dos EUA chegou a divulgar o vídeo do conflito atribuindo a queima dos caminhões como uma ordem de Maduro. Assim como a oposição da Venezuela manteve as imagens da ajuda em chamas, reproduzida em dezenas de sites de notícias e telas de televisão em toda a América Latina, como prova da crueldade do líder venezuelano. 

Durante o conflito, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, escreveu que "o tirano em Caracas dançou" enquanto seus capangas "queimavam alimentos e remédios". Os Estados Unidos chegaram a impor sanções ao país por obstruir a entreda de ajuda humanitária. 




Porém, segundo análise do The New York Times, que fez a reconstrução do incidente a partir das mesmas imagens divulgadas por veículos de imprensa, os focos de incêndio nos caminhões foram provocados por faíscas dos coquetéis molotovs atirados pelos manifestantes contra os policiais venezuelanos. 

No vídeo, é possível ver o momento em que uma bomba caseira feita com uma garrafa é lançada contra os policiais que bloqueavam o acesso da ponte que liga a Colômbia à Venezuela. O pano usado para acender o coquetel Molotov se separa da garrafa, voando em direção ao caminhão de primeiros socorros. Após alguns instantes, é possível ver um foco de incêndio no caminhão que está em chamas minutos depois.

Arte: Reconstituição/New York Times

O mesmo manifestante é visto minutos depois, em um vídeo diferente, atingindo outro caminhão com um coquetel Molotov, sem incendiá-lo. 
 
Queima de medicamentos
Outra questão apontada pelo jornal norte-americano é a acusação de que medicamentos foram queimados durante o mesmo conflito. Segundo a publicação, entrevistas e documentos não comprovam a existência desses itens nos carregamentos queimados.

A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, o principal fornecedor da ajuda na ponte, não listou medicamentos entre suas doações. No dia do conflito, um alto funcionário da oposição que estava na ponte, disse ao The New York Times que o carregamento queimado continha suprimentos médicos como máscaras e luvas, mas não remédios. Vídeos revisados %u200B%u200Bpelo jornal mostram que algumas das caixas continham kits de higiene, que os americanos identificaram como suprimentos como sabão e pasta de dente.

Contradições também do lado venezuelano
Segundo a reportagem, o governo de Maduro também fez afirmações com fatos infundados, a começar pelo discurso de não haver escassez de alimentos na Venezuela. Além de afirmar que as caixas de ajuda continham suprimentos vencidos ou armas americanas.

Porém, a alegação de que foram os manifestantes de oposição que começaram o incêndio é plausível, segundo a análise do jornal. "Eles tentaram uma operação de bandeira falsa, que supostamente o povo da Venezuela havia queimado um caminhão carregando comida estragada — não, não, não — foram eles mesmos, foram os criminosos de Iván Duque", disse Maduro a uma multidão, referindo-se a ao presidente da Colômbia.

No dia do confronto, o governo da Colômbia foi um dos países que deferendeu a narrativa de que Maduro estava por trás do incêndio. A vice-presidente Marta Lucía Ramírez  publicou uma foto do que ela disse ser "um dos caminhões incinerados por gangues por ordem de Maduro". 

Represália ao governo vezuelano
A queima da ajuda humanitária no mês passado levou a uma ampla condenação do governo venezuelano. Muitos críticos de Maduro afirmam que ele ordenou que o medicamento fosse queimado durante o impasse na fronteira, ignorando até mesmo que os próprios funcionários tenham morrido devido à escassez de medicamentos nos hospitais.

Mais de 3 milhões de pessoas fugiram do país por causa da crise humanitária que atinge a Venezuela. Os opositores políticos que permaneceram no país enfrentam a repressão das forças de segurança. Muitos seguem presos ou estão sendo forçados ao exílio. As manifestações no país também já deixaram dezenas de mortos no país. 
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