Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Notícia de Moda

Dragão Fashion

Tecidos naturais e artesanais se destacam no Dragão Fashion

Desfiles como os assinados por Almerinda Maria e por Gisela Franck reforçam identidade da semana de moda cearense, considerada a maior da moda autoral na América Latina

Publicado em: 16/05/2019 19:27 | Atualizado em: 16/05/2019 19:39

Trabalhos feitos à mão e tecidos naturais protagonizaram primeiro dia de festival. Foto: Nicolas Gondim/DFB/Divulgação

Fortaleza (CE)
– Nas passarelas do primeiro dia de DFB Festival 2019, tecidos naturais e trabalhos feitos à mão se destacaram, sobretudo nas peças em renda de Almerinda Maria e na aura de simbiose com a natureza criada por Gisela Franck. Regionalista e dotada de uma simplicidade sofisticada, Almerinda Maria manteve a tradição de trabalhar tecidos típicos do Ceará, lançando luz sobre o artesanato nordestino.

Neste ano, Almerinda revisitou o estilo de Carmen Miranda, cruzando a moda e a musicalidade típicas das décadas de 1930 a 1950. Intitulada Tropical Chic – Chica, chica bom chic, a coleção homenageia Carmen Miranda com tecidos estruturados e nobres, como o linho, o voil de algodão e a gaze de seda. Branco, off white e nude protagonizaram a passarela, intercalados a peças em cores vivas que remetiam às frutas e acessórios característicos das produções da artista.

Almerinda Maria revisitou o estilo de Carmen Miranda, com moda e musicalidade das décadas de 1930 a 1950. Fotos: Roberta Braga e Chico Gomes/DFB/Divulgação


Tecidos típicos cearenses, volumes, babados e cores que remetiam a Carmen Miranda cruzaram as passarelas pelas mãos de Almerinda. Fotos: Roberta Braga e Chico Gomes/DFB/Divulgação


Gisela Franck, por sua vez, transformou a performance da nova coleção num jardim, espalhando folhas sobre a passarela e apresentando tons crus, off e terrosos. As modelos, a partir de movimentos e interações durante o desfile, emprestaram o corpo a uma narrativa pautada pela natureza e suas delicadezas, embaladas por sons de mares, pássaros e do vento farfalhando nas árvores. “Em um bote à deriva em alto-mar, começo a ouvir o canto das gaivotas. Percebo que vou me aproximando de ilha muito bonita, com cheiro de flores e água salgada. O barulho das ondas quebrando na areia e nos pedaços de pedras lisas à beira-mar”, escreveu o DJ Caca Malloy, amigo da estilista e responsável pela trilha sonora da apresentação. 

“Minha inspiração para essa coleção se iniciou com uma visita à exposição Raiz, do artista chinês Al Weiwel”, contou Gisela Franck. Nesse desfile, o quinto de sua marca autoral no Dragão Fashion, Gisela lançou mão de acessórios feitos de flores desidratadas para criar uma espécie de jardim vivo sobre a passarela. As peças levam assinatura de sua tia, a paisagista Vania Franck.

*A repórter viajou a convite do DFB

Gisela Franck criou uma espécie de jardim vivo nas passarelas do DFB. Fotos: Roberta Braga e Chico Gomes/DFB/Divulgação


Trilha sonora e acessórios criados a partir de flores desidratadas criaram a atmosfera ideal para a coleção. Fotos: Roberta Braga e Chico Gomes/DFB/Divulgação


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Entenda os riscos da escoliose para saúde
Primeira Pessoa com Bione
Sobre Vidas: Nivia e o empoderamento de mulheres no Coque
DP Auto na Tóquio Motor Show - Tudo sobre a Nissan

Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco